
Lisboa, 25 Abr 2026 (Lusa) – A pianista Diana Botelho Vieira gravou o ciclo para piano “Trente-six histoires pour amuser les enfants d’un artiste”, do compositor Francisco de Lacerda, com narração da atriz Maria de Medeiros, anunciou a plataforma MPMP, que edita o álbum.
Este ciclo do compositor açoriano, inspirado no universo infantil, é gravado pela primeira vez com narração, resulta de uma nova edição de partitura e inclui uma peça inédita, até agora perdida, que completa a obra, como escrita por Lacerda. O álbum tem direção artística do compositor Sérgio de Azevedo.
O ciclo reúne 36 pequenas peças para piano, “inspiradas em animais e situações caricatas em que se encontram”, como explica o texto de apresentação da Plataforma MPMP – Património Musical Vivo.
“O galo e a sua sombra” (“Le Coq et son ombre”), “A foca ciumenta” (“Le Phoque jaloux”), “A oração dominical dos castores” (“Oraison dominicale des Castors”), “Os lamentos da cabra” (“Complaintes de la Chèvre”) e “A dança dos pinguins” (“La chanson des Pingouins”) são algumas das 36 peças do ciclo.
Durante o processo de investigação, Sérgio Azevedo e Diana Botelho Vieira, responsáveis pela nova edição da partitura, encontraram a 36.ª peça perdida do ciclo, “Maman Hippo-po-tame endort son Bébé” (“A mamã Hipopótomo adormece o seu bebé”), quando pediram os originais ao Museu de Angra do Heroísmo, que detém o espólio do compositor.
A partitura e discografia anteriores incluíam “Pour endormir le Dragon Rouge” (“Para adormecer o Dragão vermelho”), “que se suspeitava não pertencer originalmente a este ciclo […], para perfazer as 36 peças” do título, “à falta de melhor alternativa”.
A gravação agora editada inclui, também pela primeira vez, a recitação dos pequenos textos que acompanham a partitura, “escritos com sentido de humor” por Lacerda, que se radicara em França, no final do século XIX.
Estes textos, assim como a músca, “denotam a influência de Erik Satie e do seu período humorístico”, defende Sérgio Azevedo, nas notas que acompanham a edição do álbum, numa referência ao meio musical francês da época e ao compositor das “Gymnopédies”.
Embora não se destinassem à leitura durante a interpretação, foi decidida a integração destes textos no álbum, pela “sua riqueza” e pelo público infantil a que se destina, explica Azevedo.
“Francisco de Lacerda foi escrevendo estas peças ao longo de vários anos”, algumas publicadas em revistas artísticas e edições musicais avulsas, mantendo-se outras apenas em manuscrito.
A nova edição, segundo a plataforma MPMP (Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa), vem substituir as duas anteriores, “já desatualizadas e esgotadas”, e permite ainda aceder a notas incompletas dos manuscritos, referências a rasuras e erros provenientes de cópias.
“Trente-six histoires pour amuser les enfants d’un artiste” é o sétimo disco da coleção Benjamim, editada pela MPMP, dedicada a ouvintes mais novos.
O álbum será apresentado pela pianista Diana Botelho Vieira e Sérgio Azevedo, em 03 de maio, no Arquipélago — Centro de Artes Contemporâneas, em São Miguel, Açores.
Francisco de Lacerda (1869-1934) foi um pianista, maestro e compositor português, natural da Ilha de S. Jorge, que se fixou em Paris em 1895, onde estudou com Charles Widor e Vincent d’Indy, a quem sucedeu na classe de Orquestra do Conservatório de Paris.
Nome da chamada escola francesa, a par de Gabriel Fauré, Francis Poulenc ou Claude Debussy, com quem privou, Lacerda adquiriu notoriedade internacional sobretudo como maestro da Schola Cantorum.
Poemas sinfónicos, música para bailado, peças para órgão, piano, trios e quartetos de cordas estão entre as suas principais obras, incluindo as miniaturas “Trente-six histoires pour amuser les enfants d’un artiste”.
MAG (ILYD) // EA
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