Ataques israelitas matam oito membros da segurança libanesa

Beirute, 10 abr 2026 (Lusa) – Ataques aéreos israelitas mataram hoje pelo menos oito membros das forças de segurança libanesas, no sul do país, informou a Agência Nacional de Notícias (ANN), quando decorrem movimentações diplomáticas sobre o conflito no Médio Oriente.

A agência libanesa noticiou uma “série de intensos ataques aéreos” realizados por aeronaves israelitas, incluindo um contra um gabinete da Segurança do Estado, em Nabatieh, causando a morte de oito funcionários.

A agência de notícias France-Presse (AFP) observou danos significativos no complexo administrativo no centro da cidade, onde deflagrou um incêndio.

Estes bombardeamentos ocorrem um dia depois do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ter concordado iniciar negociações com as autoridades de Beirute sobre o conflito reaberto no início de março com o grupo xiita libanês Hezbollah, aliado do Irão.

O Hezbollah retomou os ataques contra território israelita em 02 de março, logo após a ofensiva aérea dos Estados Unidos e Israel contra o Irão, interrompendo um cessar-fogo em vigor desde novembro de 2024 que nunca foi verdadeiramente respeitado.

No mesmo dia, o Governo libanês proibiu as atividades militares do grupo xiita, que, apesar disso, não parou com lançamentos de projéteis e drones contra o território israelita. 

Ao longo das últimas semanas, Israel desencadeou uma forte campanha de bombardeamentos no Líbano, a par da expansão das posições terrestres que já ocupava no sul do país no anterior conflito, provocando mais de 1.500 mortes e acima de um milhão de deslocados, de acordo com as autoridades de Beirute.

Na quarta-feira, as forças israelitas realizaram dezenas de bombardeamentos em Beirute, no sul e no leste do Líbano, causando mais de 300 mortos e várias centenas de feridos.

Este foi o dia mais sangrento desde o recomeço das hostilidades entre Israel e o Hezbollah e ocorreu em pleno arranque de um frágil cessar-fogo acordado pelos Estados Unidos e pelo Irão.

Os líderes israelita e norte-americano consideraram a trégua que não abrange o Líbano, apesar de a mediação paquistanesa ter indicado inicialmente o contrário.

A situação no Líbano constitui um dos pontos expectáveis nas negociações, previstas para sábado em Islamabad, entre os enviados norte-americanos e iranianos sobre a guerra no Golfo Pérsico, a par do apoio financeiro e militar de Teerão a grupos armados no Médio Oriente, como o Hezbollah.

“A realização de negociações para pôr fim à guerra depende do cumprimento, por parte dos Estados Unidos, dos seus compromissos de cessar-fogo em todas as frentes, especialmente no Líbano”, avisou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão.

Horas antes desta declaração, órgãos de comunicação social iranianos, como as agências Fars e a Tasnim, noticiaram que as negociações estavam suspensas até que os Estados Unidos cumpram os compromissos no que respeita ao cessar-fogo no Líbano e o regime israelita termine os ataques.

Ao mesmo tempo que resiste ao processo de desarmamento ordenado pelas autoridades libanesas, reforçado com a proibição anunciada na quarta-feira do porte de arma por grupos não estatais em Beirute, o grupo xiita distanciou-se de negociações com Israel.

“Não aceitaremos o regresso à situação anterior e apelamos aos responsáveis ??[libaneses] para que ponham fim a estas concessões gratuitas”, declarou o secretário-geral do movimento xiita, Naim Qassem, numa mensagem escrita à nação.

Nesta madrugada, o Hezbollah voltou a lançar uma série de mísseis sobre Telavive e arredores e sobre a base naval de Ashdod, sem relatos de vítimas ou impactos diretos.

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