Associações de ambiente pedem contratação urgente de vigilantes da natureza

Lisboa, 03 ago 2026 (Lusa) – A Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente (CPADA) recomendou hoje ao Governo a contratação urgente de novos vigilantes da natureza, a revisão da carreira dos profissionais e melhoria das condições de trabalho.

Dados de 2024 indicavam que o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) tinha 286 vigilantes da natureza, um número reduzido já que devia ter como referência 800 (600 no continente e 200 nas regiões autónomas) “conforme defendido pela associação profissional da classe”, diz a CPADA em comunicado.

A confederação também propõe ao Governo a revisão da carreira especial de vigilante da natureza, valorizando as condições remuneratórias, “adequando-as à exigência e responsabilidade das funções desempenhadas”, criando perspetivas de progressão na carreira, e melhorando as condições de trabalho, incluindo disponibilização de uniformes e equipamentos de proteção individual.

“Por outro lado, revela-se indispensável que o Governo assegure, em tempo, a regulamentação da carreira por forma a tornar esta profissão mais atrativa e a garantir a fixação dos profissionais no território”, refere o comunicado, em que a CPADA destaca que a carreira de vigilante da natureza não é revista há mais de 20 anos.

Nas contas da confederação, 286 vigilantes da natureza representam cerca de 11% do total de funcionários do ICNF e corresponde a mais de 2.500 hectares a proteger por cada vigilante.

A falta de profissionais, salienta, limita a capacidade de resposta, compromete a preservação ambiental e o cumprimento das metas de conservação, coloca em risco a monitorização adequada e prejudica a intervenção rápida e eficaz contra ameaças ambientais como os incêndios florestais ou a desflorestação.

A CPADA nota que os vigilantes são fundamentais na prevenção de incêndios e na sensibilização das comunidades locais para práticas responsáveis.

E diz que embora em 2024 tenha sido aberto um concurso público para a contratação de 50 vigilantes da natureza, e haja autorização para contratar mais, “o número de vigilantes continua a ser insuficiente”, sempre abaixo de 300 “há vários anos”.

Faltam profissionais nomeadamente, aponta a organização, no espaço da rede nacional de áreas classificadas.

A CPADA recomenda também ao Governo que assegure o reforço dos meios materiais do ICNF, designadamente em viaturas “e demais equipamento necessário para a intervenção na gestão e defesa da floresta e dos ecossistemas”.

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