
Pemba, Moçambique, 01 ago 2026 (Lusa) — A Associação Nacional dos Professores (Anapro) moçambicanos pediu hoje um subsÃdio de risco para os docentes colocados nos distritos de Cabo Delgado afetados pelos rebeldes armados, alegando falta de apoio ao fim de nove anos.
O secretário provincial da Anapro em Cabo Delgado, Wahiti Azito, disse que a introdução desta medida ia permitir minimizar os impactos do conflito, que se arrasta desde 2017 no norte de Moçambique, na vida dos docentes que trabalham nas zonas afetadas pelos ataques.
“Enquanto outros funcionários, como os da Saúde e das Forças de Defesa e Segurança (FDS), recebem algum subsÃdio por estarem destacados nesses distritos, os professores não beneficiam de nenhum apoio semelhante. Como associação, apelamos ao Governo para que considere a criação de um subsÃdio de risco para os professores que trabalham nos distritos afetados pelo terrorismo”, afirmou Wahiti Azito.
Em declarações aos jornalistas, em Pemba, capital provincial de Cabo Delgado, o dirigente argumentou que, ao longo deste perÃodo de insurgência, muitos professores perderam bens e viram degradar-se as condições de vida, sem o devido acompanhamento por parte das autoridades.
“Temos vivido uma situação muito constrangedora na provÃncia de Cabo Delgado devido ao terrorismo, que afeta diretamente os professores colocados nos distritos mais atingidos. Muitos perderam os seus pertences e sofreram retrocessos no seu desenvolvimento social, sem receber o acompanhamento necessário”, disse.
Além do subsÃdio de risco para os docentes que exercem funções nas zonas de conflito, a Anapro defendeu também uma revisão salarial para os funcionários públicos da provÃncia, nomeadamente os professores.
Para Wahiti Azito, o Governo devia equacionar um acréscimo salarial de 15% para os funcionários públicos em Cabo Delgado, devido aos constrangimentos provocados pela insegurança, e um aumento de 30% para os professores que trabalham diretamente nos distritos afetados pela insurgência.
“Poderia haver um ajuste de 15% para os funcionários públicos da provÃncia, tendo em conta a situação vivida em Cabo Delgado, enquanto os professores que trabalham nos distritos afetados pelo terrorismo poderiam beneficiar de um incremento de 30%, à semelhança do que acontece noutros setores, como a Saúde e as FDS”, concluiu.
Pelo menos 104 escolas estão encerradas devido ao terrorismo em Cabo Delgado, menos de metade das 214 registadas em 2025, avançou no final de junho o governador da provÃncia, Valige Tauabo.
Durante a reunião provincial de planificação do setor da Educação, o governador defendeu que o reinÃcio do funcionamento das escolas é essencial para garantir o acesso das crianças ao ensino.
“Continuamos com 104 escolas fechadas, das quais quatro em Ancuabe, seis em Palma, 21 em MocÃmboa da Praia, sete em Nangade, nove em Muidumbe, uma em Mueda, 34 em Macomia, quatro em Meluco, duas no Ibo e 13 em Quissanga, contra 214 de 2025, uma redução que reflete a melhoria das condições de segurança na provÃncia”, afirmou.
Apesar da redução do número de estabelecimentos de ensino encerrados, o governador considerou que o cenário continua preocupante e apelou ao reforço dos esforços para normalizar o funcionamento da rede escolar.
Desde outubro de 2017, a provÃncia de Cabo Delgado, rica em gás, enfrenta uma rebelião armada com ataques reclamados por movimentos associados ao grupo extremista Estado Islâmico.
De acordo com dados divulgados anteriormente pela Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED), foram registados 2.408 eventos violentos desde o inÃcio da insurgência, dos quais 2.224 envolvendo elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM), e mais de 6.600 mortos.
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