Associação marroquina apela a que se evite propagação da tensão de Ceuta

Málaga, 30 ago 2026 (Lusa) — A Associação Marroquina para a Integração dos Imigrantes apelou hoje para que a tensão em Ceuta não se alastre a outras regiões e para que a hostilidade contra os migrantes não se propague.

Neste sentido, e com uma manifestação agendada para 02 de setembro, a associação apelou à responsabilidade, respeito e convivência pacífica entre residentes e migrantes.

A associação alerta que a preocupação com a situação em Ceuta não pode converter-se em ataques ou incitar à violência contra os migrantes.

A associação acompanha com preocupação o aumento da tensão social registado nos últimos dias em torno da presença dos migrantes em Ceuta, referindo tanto as dificuldades enfrentadas pela população residente como a especial situação de vulnerabilidade em que se encontram muitos migrantes.

Nos últimos dias, a associação refere que assistiu a episódios que considera especialmente preocupantes, “com confrontos e ações dirigidas contra locais em que permaneciam cidadãos migrantes, obstrução do acesso a veículos destinados a prestar ajuda humanitária, atos de vandalismo e incêndios em zonas povoadas”.

A associação considera que estes acontecimentos evidenciam “um nível de tensão que não deve normalizar-se e exige responsabilidade por parte de todos os envolvidos”.

A esta realidade, a associação junta uma outra inquietação que tem observado nas redes sociais, onde diz haver um “ambiente preocupante” em torno da manifestação agendada para quarta-feira, com o aparecimento e “intensificação de mensagens e expressões de hostilidade relacionadas com a migração”.

“Não atribuímos estas atitudes a todas as pessoas que participarão nas concentrações, nem questionamos o seu direito a manifestarem-se. Precisamente, por isso, consideramos importante diferenciar entre o legítimo direito de expressar uma preocupação e um qualquer discurso ou comportamento que possa contribuir para a discriminação ou violência contra um grupo”, esclarece a associação.

A manifestação da próxima quarta-feira foi convocada pela Federação Espanhola de Municípios e Províncias, com concentrações marcadas em frente às câmaras municipais, com o intuito de demonstrar solidariedade e apoio a Ceuta e aos seus cidadãos.

A Associação Marroquina para a Integração dos Imigrantes respeita o direito da manifestação, expressa publicamente a preocupação com a situação em Ceuta e entende que os municípios querem mostrar a sua solidariedade perante uma situação que requer respostas.

Por isso, acredita que “é necessário que as concentrações aconteçam de forma pacífica e responsável e que a mensagem de apoio a Ceuta não se transforme em hostilidade contra os migrantes”, realçando que apoiar Ceuta não significa atacar os migrantes.

“Um migrante que vive em Málaga, Madrid, Barcelona, Valência ou qualquer outro município espanhol não é responsável pelo que está a ocorrer em Ceuta. Do mesmo modo, tão pouco o são as famílias, trabalhadores, menores e migrantes que fazem parte das nossas comunidades”, sublinha.

Os membros da associação assumem que estão “especialmente preocupados que, uma situação concreta, possa dar lugar a uma generalização de responsabilidades e que os migrantes sejam apresentados como um grupo homogéneo ao qual atribuem problemas e conflitos”.

“Quando isto acontece, aumenta o risco de rejeição que passa de uma situação em específico para as pessoas que vivem nos nossos bairros todos os dias”, afirma.

A associação realça ainda que não quer esperar que “um ataque aconteça para recordar a necessidade de o prevenir”, até porque defende que “prevenir não significa criar alarme, significa assumir a responsabilidade de atuar quando existem elementos que aconselham a redobrar a atenção”.

IYN // PSC

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