
Lisboa, 06 mar 2026 (Lusa) – O aquecimento global acelerou a partir de 2015, indica um estudo publicado hoje, que mostra que a taxa de aquecimento nos últimos 10 anos é superior à de qualquer década desde o início dos registos instrumentais em 1880.
Num texto de divulgação do estudo, o Instituto Potsdam para a Investigação sobre o Impacto das Alterações Climáticas (PIK), na Alemanha, indica que “a taxa de aquecimento estimada nos últimos 10 anos foi de cerca de 0,35 graus Celsius (°C), dependendo da base de dados, em comparação com pouco menos de 0,2°C por década, em média, de 1970 a 2015”.
A equipa de investigação detetou, após a contabilização na temperatura global das influências naturais conhecidas, “pela primeira vez, uma aceleração estatisticamente significativa da tendência de aquecimento”.
Segundo o PIK, “esta taxa recente é superior à de qualquer década anterior desde o início dos registos instrumentais, em 1880”.
“Podemos agora demonstrar uma forte e estatisticamente significativa aceleração do aquecimento global desde cerca de 2015”, afirma Grant Foster, especialista em estatística e coautor do estudo publicado na revista científica Geophysical Research Letters, citado no comunicado.
“Filtrámos as influências naturais conhecidas nos dados observacionais, para reduzir o ‘ruído’, tornando o sinal subjacente de aquecimento a longo prazo mais claramente visível”, acrescentou.
As flutuações naturais de curto prazo da temperatura global, causadas pelo fenómeno climático El Niño, erupções vulcânicas e ciclos solares, podem mascarar as alterações na taxa de aquecimento a longo prazo.
Os investigadores utilizaram informação de cinco grandes bases de dados: da agência espacial norte-americana NASA, da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a britânica HadCRUT (junta dados do Centro Hadley e do Departamento de Investigação Climática da Universidade de East Anglia), da organização norte-americana Berkeley Earth e a ERA5, ligada ao programa Copernicus da União Europeia.
E, para testar se a taxa de aquecimento mudou desde a década de 1970, a equipa de investigação aplicou “duas abordagens estatísticas: uma análise de tendência quadrática e um modelo linear por partes”.
“Os dados ajustados mostram uma aceleração do aquecimento global a partir de 2015 com uma certeza estatística de mais de 98%, consistente em todos os conjuntos de dados examinados e independente do método de análise escolhido”, explica Stefan Rahmstorf, investigador do PIK e autor principal do estudo, citado no comunicado do instituto.
O estudo não investiga as causas específicas da aceleração observada, que começa a tornar-se aparente em 2013 ou 2014 em todos os conjuntos de dados.
Segundo Stefan Rahmstorf, “se a taxa de aquecimento dos últimos 10 anos se mantiver, tal levará a uma ultrapassagem de longo prazo antes de 2030 do limite de 1,5°C do Acordo de Paris”.
O limite de 1,5ºC de aquecimento global acima dos valores médios da era pré-industrial (genericamente considerada como anterior a 1750) foi entendido em 2015, no Acordo de Paris sobre redução de gases com efeito de estufa, como o ponto a partir do qual as alterações climáticas se tornam generalizadas, irreversíveis e com consequências severas.
“A rapidez com que a Terra vai continuar a aquecer depende, em última análise, da rapidez com que reduzimos a zero as emissões globais de CO2 provenientes dos combustíveis fósseis”, assinalou.
O dióxido de carbono (CO2) é o gás que mais contribui para o efeito de estufa que aumenta o aquecimento global.
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