Angolanos retidos no Dubai devem voar para Luanda no sábado

Luanda, 04 mar 2026 (Lusa) — Um grupo de 12 angolanos que ficou retido no Dubai devido ao encerramento do aeroporto na sequência do conflito no Médio Oriente deverá regressar a Luanda no sábado, num voo da companhia Emirates, segundo um representante da comunidade angolana.

Em declarações à Lusa, Aliondy Garcia explicou que estas pessoas se encontravam nos Emirados Árabes Unidos em visitas de curta duração e não fazem parte da comunidade residente.

“Estamos a falar de cerca de 12 angolanos que estavam no Dubai em turismo ou em viagens curtas e que pretendiam regressar a Luanda. Além desses, há também dois angolanos cujo destino final era Portugal”, afirmou o presidente da Associação dos Angolanos e Amigos nos Emirados Árabes Unidos.

O empresário indicou que estas pessoas ficaram retidas depois de o Aeroporto Internacional do Dubai ter sido atingido por ‘drones’ e encerrado temporariamente devido às tensões militares no Médio Oriente, que levaram vários países e companhias aéreas a suspender voos por razões de segurança.

Segundo Aliondy Garcia, o aeroporto deverá reabrir no dia 07, sábado, e a expetativa é que estes passageiros regressem a Luanda nesse dia num voo da Emirates.

“A Emirates estava a fazer o rastreio dos passageiros que estavam no Dubai para poderem beneficiar desse voo para Angola. Esperamos que Luanda continue entre os destinos prioritários”, disse.

O responsável sublinhou que a situação nos Emirados permanece calma e que não há motivos para alarme entre os residentes.

“A vida aqui no Dubai está a decorrer de forma normal. Os transportes públicos funcionam, os supermercados estão abertos e as pessoas continuam a trabalhar. Não estamos numa situação de conflito direto”, afirmou.

A comunidade angolana nos Emirados Árabes Unidos é relativamente pequena, estimando-se atualmente em cerca de 220 residentes, a maioria concentrada no Dubai.

Segundo Aliondy Garcia, os angolanos estabelecidos no emirado dedicam-se sobretudo a negócios, com destaque para o setor imobiliário e atividades ligadas ao comércio e investimento.

“Dubai é uma cidade de oportunidades, onde cerca de 85% da população é estrangeira, e muitos angolanos vieram para cá precisamente por causa das oportunidades de negócio”, explicou.

O responsável acrescentou que a associação da comunidade angolana, em articulação com o consulado e a embaixada de Angola, tem prestado apoio aos cidadãos ali retidos enquanto aguardam a retoma das ligações aéreas.

O Aeroporto Internacional do Dubai é um dos principais centros de aviação do mundo e o mais movimentado do Médio Oriente, funcionando como principal ‘hub’ da Emirates e como um dos maiores pontos de ligação entre a Europa, Ásia, África e Oceania.

 As autoridades dos Emirados decidiram restringir temporariamente os voos por razões de segurança, já que o espaço aéreo regional tornou-se instável e potencialmente perigoso para a aviação civil devido à possibilidade de ataques ou intercetações militares.

Nos últimos dias, alguns voos começaram a ser retomados de forma gradual, mas o aeroporto continua a operar com horários reduzidos dando prioridade para voos essenciais ou de repatriamento.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão,  tendo matado durante a ofensiva o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.

O Conselho de Liderança Iraniano assume atualmente a direção o país.

O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã, Iraque, Chipre e Turquia.

Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.

 

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