
Luanda, 10 mar 2026 (Lusa) — A produção de milho atingiu 3,6 milhões de toneladas, na campanha agrícola 2024/2025, mas foi necessário importar mais 350 mil toneladas, que custou 123 milhões de dólares (104,7 milhões de euros), divulgou hoje o Governo angolano.
Segundo o ministro de Estado para a Coordenação Económica de Angola, José de Lima Massano, que hoje liderou um encontro entre o executivo e os industriais e produtores de milho, continua a haver necessidade de aproximação destes dois operadores de mercado e o Governo fazer essa ponte.
José de Lima Massano destacou que as necessidades de milho em Angola são crescentes, por haver cada vez mais procura, e o país ainda não conseguiu alcançar a autossuficiência deste cereal.
“Nós entendemos que, em relação ao milho, para atingirmos absoluta segurança, teremos que triplicar o que produzimos hoje, termos condição de irmos constituindo ‘stocks’ de reserva, mas é necessário fazermos esse exercício com segurança. Quem produz tem de ter garantia de acesso ao mercado, quem está na indústria transformadora também tem de ter a garantia que, sendo necessário, o milho estará disponível”, disse José de Lima Massano.
O governante angolano sublinhou que, em Angola, as necessidades são crescentes, porque o milho serve tanto para consumo humano como animal.
O ministro de Estado para a Coordenação Económica frisou que o milho é uma cultura importante e está no centro da agenda da segurança alimentar do país, defendendo o aumento do volume de produção e mais produtores, “quer sejam de matriz empresarial como familiar”.
José de Lima Massano apelou aos produtores e aos industriais uma maior articulação de informação e diálogo entre si, manifestando disponibilidade de intermediação do Governo nesta relação.
“O que vai ocorrendo é que os produtores, aqueles que estão no setor primário, dizem-nos muitas vezes que não conseguem colocar a sua produção, mas depois temos os industriais que depois dizem que nem sempre conseguem encontrar o produto”, explicou.
Face à situação, o Governo é obrigado, apesar de continuar firme na proteção aos produtores nacionais, “pontualmente, a autorizar a importação de milho” para se manter o ciclo produtivo, salientou.
“Sempre que ocorre uma autorização para a importação de milho, temos reações menos positivas dos produtores, por alegadamente terem milho disponível, mas os industriais nem sempre conseguem identificar esse milho”, enfatizou.
Em declarações à imprensa, o presidente das Indústrias Moageiras de Milho, António Aragão, disse que estas atualmente adquirem 30% do milho nacional para a sua produção, sendo as restantes quantidades importadas.
António Aragão disse que, com a sua produção, as indústrias atendem às necessidades das cervejeiras, da população e dos produtores pecuários.
O líder associativo frisou que a maior produção e com maior qualidade encontra-se no corredor entre as províncias de Malanje e Cuanza Norte, mas outras localidades no sul de Angola, como Huambo e Benguela, têm dado alguns sinais positivos.
Aragão apontou como principal desafio o acesso a divisas para a importação de 70% da sua principal matéria-prima, sendo a qualidade das estradas e os custos altos de transporte do produto os problemas que enfrentam para a aquisição da produção local.
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