Alemanha também pede a demissão da relatora especial da ONU para a Palestina

Berlim, 12 fev 2026 (Lusa) — A Alemanha juntou-se hoje à França ao pedir a demissão da relatora especial da ONU para os Territórios Palestinianos, a jurista italiana Francesca Albanese, devido a declarações recentes em que critica Israel.

“A senhora Albanese já fez inúmeros comentários inadequados no passado. Condeno as suas declarações recentes sobre Israel. Ela é inadequada para o cargo”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, na rede social X.

A Alemanha é considerada o maior aliado de Israel na Europa.

Albanese, natural de Avellino (sul de Itália), 48 anos e licenciada pela Universidade de Pisa, é relatora da ONU há mais de três anos e foi acusada de justificar os ataques sem precedentes do movimento extremista palestiniano Hamas a Israel a 07 de outubro de 2023, que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza.

A jurista italiana tem atribuído a Telavive a autoria de um genocídio no enclave palestiniano.

Os relatores especiais são especialistas independentes mandatados pela ONU. Redigem relatórios, mas não falam em nome da organização multilateral.

A França, membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, defendeu na quarta-feira a demissão de Albanese, após “comentários escandalosos e condenáveis”, disse o chefe da diplomacia francesa.

“França condena sem reservas os comentários escandalosos e condenáveis da senhora Francesca Albanese, que não são dirigidos ao Governo israelita, cujas políticas podem ser criticadas, mas sim a Israel enquanto povo e nação, o que é absolutamente inaceitável”, disse Jean-Noël Barrot, numa intervenção no parlamento.

As autoridades francesas vão formalizar o pedido numa reunião do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, em 23 de fevereiro.

Também o partido italiano Liga (extrema-direita), que integra o Governo liderado por Giorgia Meloni, defendeu na quarta-feira a demissão imediata de Albanese, juntando-se ao apelo do Governo francês.

“A Liga tem apenas uma exigência relativamente a Albanese: a demissão!”, disseram deputados do partido de extrema-direita, que apresentaram uma resolução, juntando-se “à França e a todos os outros países para apelar à relatora especial das Nações Unidas para os Territórios Palestinianos que deixe imediatamente o cargo”.

“Quem chama a Israel – por exemplo – de ‘inimigo comum da humanidade’ tem poucas razões para se declarar imparcial e está a alimentar mais do que legítimas suspeitas sobre o seu antissemitismo”, consideraram os deputados.

Intervindo por videoconferência no sábado, num fórum organizado em Doha pelo canal qatari Al-Jazeera, Albanese falou de um “inimigo comum” que, considerou, permitiu um “genocídio” em Gaza.

“O facto de que, em vez de parar Israel, a maioria dos países do mundo o tenha armado, lhe dado desculpas políticas, um guarda-chuva político, bem como apoio económico e financeiro, é um desafio”, afirmou.

“Nós, que não controlamos um vasto capital financeiro, nem algoritmos, nem armas, agora vemos que, como humanidade, temos um inimigo comum”, acrescentou.

Numa publicação nas redes sociais na segunda-feira, Albanese defendeu-se das críticas dizendo que “o inimigo comum da humanidade é O SISTEMA que permitiu o genocídio na Palestina”, recorrendo à escrita em letras maiúsculas para enfatizar a mensagem.

A 07 de outubro de 2023, o grupo extremista palestiniano Hamas conduziu um ataque contra Israel, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas.

Em retaliação do ataque do Hamas, Israel lançou uma operação militar em grande escala na Faixa de Gaza, que provocou mais de 72 mil mortos, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.

Um acordo de cessar-fogo está em vigor desde 10 de outubro de 2025.

 

JSD (JH) // SCA

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