
Berlim, 27 abr 2026 (Lusa) — O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, defendeu hoje a aplicação universal do Tratado de Não Proliferação Nuclear, mas ressalvou que, enquanto persistirem “ameaças nucleares”, será necessária uma “dissuasão credível” para evitar ataques contra a Europa.
Antes de partir para Nova Iorque, onde o Conselho de Segurança da ONU realiza hoje um debate sobre a manutenção da segurança e da paz marítimas internacionais, o ministro alemão indicou que um dos pontos da agenda será a questão nuclear, lembrando tratar-se de uma questão-chave nas relações das últimas décadas com o Irão.
“Queremos garantir que o Tratado de Não Proliferação Nuclear atinja a validade universal, embora isso esteja a tornar-se cada vez mais difícil”, afirmou, acrescentando que a conferência que hoje começa vai oferecer uma oportunidade para explorar formas de assegurar as conquistas do tratado e analisar as perspetivas de desarmamento.
No entanto, “enquanto as ameaças nucleares contra nós e os nossos aliados se mantiverem, continuaremos a precisar de uma dissuasão credível”, ressalvou, sem especificar a que país se referia.
Em vigor desde 1970 e com quase 200 países signatários, o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares permite que cinco potências — Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia, os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — possuam armas nucleares.
Wadephul fez ainda alusão à situação no Médio Oriente, onde o bloqueio do estratégico estreito de Ormuz demonstra a vulnerabilidade das rotas globais de abastecimento, afirmou.
“Sem energia e fertilizantes, o abastecimento alimentar mundial corre um grave perigo. É por isso que hoje, em Nova Iorque, defenderei que o Conselho de Segurança cumpra o seu papel”, declarou.
A Alemanha quer que o Conselho de Segurança emita um mandato internacional para garantir que navios mercantes possam voltar a navegar com segurança pelo estreito de Ormuz e lidera, juntamente com a França e o Reino Unido, os esforços para criar uma missão naval europeia focada na proteção de rotas comerciais, demarcando-se de intervenções militares ofensivas.
Berlim quer também aproveitar a reunião de hoje para reiterar a necessidade urgente de reformar o Conselho de Segurança, na sequência das críticas que tem feito sobre o uso excessivo do poder de veto pelos membros permanentes, nomeadamente a Rússia e a China, que, na sua opinião, tem paralisado a diplomacia durante a crise.
Wadephul defende também que a União Europeia abandone a regra da unanimidade em questões de segurança externa, para que o bloco possa agir de forma mais ágil e decidida em crises como a atual.
A invasão da Ucrânia pela Rússia impulsionou discussões sobre a criação de um guarda-chuva nuclear europeu, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, declarou, em fevereiro, que o seu país estaria preparado para oferecer aviões militares para transportar armas nucleares norte-americanas, britânicas ou francesas.
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