
Weimar, Alemanha, 03 set 2026 (Lusa) – Os ministros dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, França e Polónia, membros do Triângulo de Weimar, advertiram hoje de que vão responder ao aumento pela Rússia das agressões à Europa, no contexto de uma intensificação da guerra na Ucrânia.
“Haverá consequências” para incidentes como o ataque frustrado com drones explosivos no aeroporto da cidade alemã de Leipzig, que Berlim imputou a Moscovo, declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) alemão, Johann Wadephul, no final de uma reunião com os homólogos francês e polaco em Weimar.
Wadephul agradeceu as manifestações de apoio à Alemanha após a denúncia de que a Rússia estava por detrás da tentativa de atentado em Leipzig, sublinhando que “a Europa se mantém unida quando a Rússia tenta destabilizar a segurança e as sociedades” do continente.
“Prosseguimos com o nosso apoio [à Ucrânia] e aumentamos a pressão sobre Moscovo para que embarque em negociações sérias. Os ataques e as ameaças da Rússia são dirigidos a todos nós. Juntos fortalecemos a nossa resistência”, afirmou o MNE alemão, apelando para uma Europa “capaz de agir e forte”.
O chefe da diplomacia francesa, Jean-Noel Barrot, alertou a Rússia de que “a Europa responderá a atos de gravidade” como o ocorrido no aeroporto de Leipzig, no leste da Alemanha.
“É evidente que, quando a integridade territorial da União Europeia, do território da NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental) ou dos nossos processos eleitorais é ameaçada — em suma, sempre que o coração dos nossos Estados e das nossas democracias for atacado, mesmo que esses ataques sejam hÃbridos —, nós responderemos”, sublinhou.
“Que imagem projetarÃamos se fôssemos incapazes de responder quando é atacado o mais essencial, em relação ao que nunca se pode transigir?”, questionou o MNE francês, repetindo que sempre que tais incidentes ocorram, “haverá consequências”.
Barrot atribuiu também uma renovada intensidade à ofensiva do Kremlin no conflito na Ucrânia, afirmando: “A Ucrânia é que está a sofrer a agressão, mas a Europa está a ser vÃtima de uma agressividade redobrada por parte da Rússia desde 24 de fevereiro de 2022”.
Ao passo que, por seu lado, a Europa, assegurou, não demonstrou “agressividade” contra a Rússia ou o seu Presidente, Vladimir Putin, que, na sua opinião, “está a aumentar a tensão e a ir cada vez mais longe” no conflito.
Em todo o caso, instou a que se separe o Kremlin do povo russo, depois de vincar que este “está a sofrer com as decisões imperialistas e coloniais de Putin”, “com racionamento de energia, vendo 35 mil soldados morrerem nas linhas da frente todos os meses e assistindo ao colapso da economia”.
O MNE polaco, Radoslaw Sikorski, por sua vez, expressou o apoio do seu paÃs à Alemanha, na reação perante o atentado fracassado.
“Não queremos que as nossas fronteiras sejam violadas sem que haja consequências. Não aceitamos ataques à s nossas infraestruturas ferroviárias, não aceitamos assassÃnios, nem outras ações desse tipo”, insistiu.
Sikorsky salientou que “este tipo de terrorismo” por parte da Rússia é um problema “para toda a Aliança”, referindo-se à NATO.
“A Rússia de Putin é uma das ameaças mais significativas à paz na Europa. Esta Rússia ameaça destruir a arquitetura de segurança europeia e pretende impor o domÃnio nas relações internacionais ao invés de as basear na cooperação, e devemos confrontar estas ambições”, argumentou.
Por isso, defendeu que, perante a escalada do conflito no Médio Oriente, mas também na Europa, o caminho para a resolução dos conflitos deve ser “a cooperação e o apaziguamento”.
“É isso que pretendemos e, neste contexto, a cooperação entre a Europa e os Estados Unidos é fundamental”, acrescentou.
Na terça-feira, a Alemanha anunciou medidas de retaliação contra a Rússia, depois de a ter acusado de enviar no inÃcio de agosto um drone carregado com explosivos para o aeroporto de Leipzig, um centro militar fundamental para o Exército alemão e para a NATO.
O drone foi descoberto na área com segurança das operações de carga, perto de vários aviões de carga ucranianos, e um segundo drone atingiu um avião de carga da empresa de distribuição DHL minutos depois.
Segundo a imprensa alemã, um terceiro drone foi posteriormente encontrado no aeroporto, igualmente com vestÃgios de substâncias explosivas.
Desde o inÃcio da guerra na Ucrânia, a Alemanha e vários outros Estados europeus têm regularmente imputado ao Kremlin operações de destabilização, espionagem e sabotagem nos seus territórios.
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