Advogada iraniana Nasrin Sotoudeh vence Prémio Havel do Conselho da Europa

Estrasburgo, França, 28 set 2026 (Lusa) – A advogada iraniana Nasrin Sotoudeh venceu hoje o Prémio Vaclav Havel do Conselho da Europa, atribuído pela instituição que zela pelos direitos humanos no continente.

Ativista contra a pena de morte e a obrigatoriedade do uso do véu para as mulheres, Nasrin Sotoudeh “representou ativistas, jornalistas, membros de minorias e crianças ameaçadas de execução (…) apesar das detenções recorrentes, das longas penas de prisão e dos riscos pessoais significativos”, destacou a instituição com sede em Estrasburgo.

Primeira iraniana a receber este prémio, foi escolhida em detrimento da compatriota Masih Alinejad, jornalista exilada nos Estados Unidos e ativista contra a obrigatoriedade do uso do véu, e da húngara Marta Pardavi, copresidente de um grupo de defesa dos direitos dos requerentes de asilo.

“Em momentos como este, recordamos as nossas lutas passadas, os nossos ideais comuns e as pessoas que nos apoiam em todo o mundo. Renovamos a esperança que partilhamos e dizemos a nós próprios: um dia, concretizar-se-á. Um dia, o sol da liberdade brilhará também sobre o nosso país”, afirmou a advogada, de 63 anos, numa mensagem vídeo enviada de Teerão.

Mehraveh Khandan Heris, a filha, foi quem se deslocou a Estrasburgo para receber o prémio, criado em 2013 em homenagem ao antigo dissidente checo Vaclav Havel e dotado de 60 mil euros.

Detida em abril pelas autoridades iranianas, Nasrin Sotoudeh, que recebeu em 2012 o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, atribuído pelo Parlamento Europeu, foi libertada sob fiança mais de um mês depois, sem que fossem divulgadas informações sobre os motivos da detenção. A advogada já tinha sido presa várias vezes no passado.

A sua detenção ocorre num contexto de “preocupações com a sua segurança e, de forma mais abrangente, com a repressão dos advogados independentes e dos defensores dos direitos humanos” no Irão, salientou o Conselho da Europa.

O marido, Reza Khandan, está, por sua vez, preso desde dezembro de 2024.

Segundo organizações de defesa dos direitos humanos, milhares de pessoas foram detidas no Irão desde o início da ofensiva israelo-norte-americana contra a República Islâmica, a 28 de fevereiro.

Teerão reconheceu, entretanto, mais de 3.000 mortos nas manifestações contra o poder iraniano em janeiro, mas atribuiu a violência a “atos terroristas” orquestrados pelos Estados Unidos e por Israel.

 

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