
Ramallah, Palestina, 21 ago 2026 (Lusa) – O presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, elogiou hoje a rejeição, por parte de vários países ocidentais, do megaprojeto israelita de um colonato na Cisjordânia ocupada, mas pediu que traduzam as palavras de condenação em ações concretas.
Segundo a agência noticiosa palestiniana Wafa, Abbas saudou a posição conjunta adotada na quinta-feira por Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Canadá e Noruega, que reafirma a situação ilegal dos colonatos na Cisjordânia e alerta para a ameaça que o megaprojeto E1, perto de Jerusalém, representa para a contiguidade territorial da Palestina e para a solução de dois Estados, em desafio do direito internacional e das resoluções das Nações Unidas.
Posteriormente, a Bélgica, Suécia e Nova Zelândia também aderiram à declaração, tendo Espanha expressado condenação, num pronunciamento separado, dos planos do Governo liderado por Benjamin Netanyahu, que também já mereceu a oposição de Portugal.
O presidente da Autoridade Palestiniana insistiu hoje que o megaprojeto implica “um passo extremamente perigoso na política de expansão dos colonatos de Israel” e apelou aos países ocidentais para traduzirem “as suas posições em medidas práticas e concretas para impedir a implementação do plano E1”.
O projeto E1 foi aprovado em agosto de 2025, apesar de protestos das autoridades palestinianas e da comunidade internacional, e prevê cerca de 3.400 unidades habitacionais na Cisjordânia ocupada, numa área de 12 quilómetros quadrados entre o colonato de Ma’ale Adumim e Jerusalém Oriental.
Na prática, este megaprojeto ameaça dividir em dois a Cisjordânia e a viabilidade do Estado Palestiniano.
Na terça-feira, o Ministério da Habitação abriu um concurso para a construção de 1.200 habitações integradas no projeto, segundo relatos da organização não-governamental israelita Paz Agora e da imprensa israelita.
“Instamos o Governo de Israel a revogar imediatamente estes planos e a pôr fim à expansão dos colonatos na Cisjordânia. Não só nos afastarão ainda mais da paz, como também prejudicarão ainda mais a reputação internacional de Israel”, afirmou o grupo de países ocidentais na sua declaração conjunta
Já hoje, também os ministros dos Negócios Estrangeiros dos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Qatar, Jordânia, Indonésia, Paquistão, Turquia e Egito condenaram “inequivocamente” as políticas de expansão dos colonatos israelitas no território palestiniano ocupado e rejeitaram “categoricamente” o plano E1 e as atividades associadas em Jerusalém Oriental.
Os ministros alertaram que o projeto representa uma “escalada perigosa”, ao favorecer a expansão e a anexação de colonatos e compromete a continuidade territorial entre as diferentes partes do território palestiniano ocupado, sobretudo entre a Cisjordânia e Jerusalém Oriental.
Nesse sentido, este assentamento israelita ameaça a possibilidade de estabelecer um Estado palestiniano “independente, contíguo e viável”, baseado nas fronteiras de 1967 e com Jerusalém Oriental (ocupada por Israel nesse ano) como capital.
Na declaração hoje divulgada, os oito países árabes e muçulmanos condenaram ainda a violência cometida por colonos israelitas na Cisjordânia contra os palestinianos e as suas propriedades, afirmando que viola o direito internacional e as resoluções das Nações Unidas e constitui uma ameaça à paz e à segurança regional e internacional.
Israel tem em vigor restrições significativas à liberdade de circulação dos palestinianos da Cisjordânia, que precisam de obter autorizações para passar pelos postos de controlo e deslocar-se a Jerusalém Oriental ou a Israel. Em muitos casos, são vedados.
Cerca de três milhões de palestinianos vivem na Cisjordânia ao lado de mais de 500 mil israelitas instalados em colonatos, classificados como ilegais pelo direito internacional.
A violência intensificou-se na Cisjordânia desde os ataques liderados pelo grupo islamita palestiniano Hamas no sul de Israel, em 07 de outubro de 2023, com o registo de episódios de confrontos quase diários pela parte de colonos radicais contra a população local, que enfrenta também incursões regulares do exército.
Segundo as Nações Unidas, 1.111 palestinianos, dos quais pelo menos 243 crianças, foram mortos desde então até meados de julho na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental, em ataques atribuídos a colonos radicais ou incursões militares do exército.
Israel realiza eleições legislativas em 27 de outubro, nas quais Benjamin Netanyahu joga o futuro do seu Governo de coligação, cujos aliados de extrema-direita defendem a anexação da Cisjordânia.
HB // SCA
Lusa/Fim



