A situação na Venezuela reacende o debate sobre exportações e infraestruturas no Canadá

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O debate sobre o futuro do petróleo canadiano intensificou-se após mudanças políticas na Venezuela e a possível reconfiguração do mercado energético na América do Norte. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou que o seu governo procura ampliar o acesso a mercados asiáticos, numa altura em que o petróleo venezuelano poderá voltar a competir com o produto canadiano nas refinarias dos Estados Unidos.

As declarações surgiram durante uma deslocação oficial a Paris, onde Mark Carney participou em reuniões internacionais, e respondeu a pressões internas para acelerar a aprovação de um oleoduto até à costa do Pacífico. O líder do Partido Conservador, Pierre Poilievre, defendeu que a recente intervenção dos Estados Unidos na Venezuela alterou o equilíbrio energético global e exige decisões rápidas por parte do Canadá.

A detenção do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por forças norte-americanas, e a intenção declarada do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de incentivar empresas dos EUA a revitalizar a indústria petrolífera venezuelana, abriram a possibilidade de um aumento significativo da produção naquele país. A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, embora o setor esteja fragilizado por anos de sanções e falta de investimento.

Segundo Pierre Poilievre, um eventual crescimento rápido da produção venezuelana de crude pesado poderá reduzir a procura pelo petróleo canadiano nos Estados Unidos, levando à necessidade de diversificar destinos de exportação. Mark Carney reconheceu este risco, mas sublinhou que o petróleo do Canadá mantém vantagens em termos de estabilidade e custos, afirmando que “o petróleo canadiano será competitivo porque é de baixo risco”.

O governo federal assinou um memorando de entendimento com a província de Alberta que liga a construção de um oleoduto até à costa a um projecto de captura de carbono conhecido como Pathways Alliance, prevendo que ambos avancem em conjunto. O acordo estabelece que o projeto será financiado pelo sector privado, com participação e benefícios para comunidades indígenas, e que o pedido formal de aprovação deverá ser submetido até meados do ano.