
Roma, 07 nov 2026 (Lusa) – O ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, denunciou hoje que os seus dados pessoais foram divulgados na ‘dark web’, acrescentando que estas “intimidações” estão a acontecer devido a sua defesa da Ucrânia contra os russos.
“Há dias que os cibercriminosos têm vindo a divulgar os meus dados pessoais na ‘dark web’ [uma internet paralela] e a procurar mais informações, expondo-me, assim, a novas ameaças e intimidações. Estão também a envolver a minha família e estão dispostos a pagar para obter mais detalhes sobre mim e os meus entes queridos”, declarou na rede social X.
Tajani, que é também vice-primeiro-ministro de Itália e antigo presidente do Parlamento Europeu (2017-2019), afirmou que a “razão política” pela qual se tornou alvo destes alegados “ataques” é a sua defesa da resistência ucraniana.
“Defender a liberdade de um Estado soberano e posicionar-se claramente a favor da democracia e da independência de uma nação é algo que estas organizações criminosas consideram perigoso”, denunciou.
O chefe da diplomacia italiana declarou que não se deixará intimidar “em circunstância alguma”.
“Continuarei a trabalhar para defender o meu Ministério e a Itália e reforçarei cada vez mais os laços e a colaboração com os nossos aliados para nos protegermos em conjunto”, afirmou Tajani, destacando as medidas que já está a implementar para evitar estes ciberataques.
Tais incursões, referiu o ministro italiano, “em muitos casos, estão ligadas, de alguma forma, a entidades estatais hostis” à Itália.
“Estamos em alerta e coordenados com os nossos aliados”, alertou Tajani.
A denúncia de Antonio Tajani surge quando estão a acontecer uma série de ataques — de origem ainda por esclarecer —, como os que afetaram os sistemas de refrigeração de alguns supermercados europeus ou os recentes falsos alertas envolvendo aeronaves no mesmo continente.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, apontou diretamente os “‘hackers’ pró-russos” como responsáveis pela intimidação contra Tajani, a quem expressou a sua “total solidariedade”.
“A venda de informações confidenciais sobre representantes das instituições é motivo de grande preocupação e deve ser enfrentada com a máxima determinação. Igualmente preocupante é a divulgação de imagens falsas, partilhadas inclusive por representantes da oposição. A liberdade de expressão nunca se pode tornar um terreno propício à desinformação”, declarou Meloni num comunicado.
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