Maputo precisa de 891ME para responder ao défice de abastecimento de água

Maputo, 06 nov 2026 (Lusa) – A empresa Água e Saneamento de Maputo (SAAS) precisa de 891,3 milhões de euros para expandir os sistemas de abastecimento de água e responder ao défice que afeta a capital moçambicana, admitiu hoje o administrador da instituição.

“A nível de Maputo, sabemos que as nossas necessidades situam-se em cerca de mil milhões de dólares [891,3 milhões de euros]”, disse o administrador e delegado da SAAS, Jânio Langa, em conferência de imprensa na capital moçambicana.

Segundo o responsável, decorrem ações de mobilização de recursos financeiros para aumentar a capacidade de produção e distribuição de água e responder à procura crescente na região.

Jânio Langa admitiu igualmente dificuldades no controlo das perdas de água, associadas tanto à degradação das infraestruturas como às ligações clandestinas à rede pública.

“Existem muitas ligações clandestinas. Nós, como disse, estamos com uma base de clientes de cerca de 320.000, dos quais cerca de 60.000 clientes estão classificados como suspensos e muitos deles não localizados, mas acreditamos que são clientes ou consumidores que estão a usar água”, afirmou.

Para fazer face a este problema, a empresa desenvolve ações de sensibilização junto das comunidades, procurando reforçar a contribuição dos consumidores para a sustentabilidade do sistema.

Segundo o administrador, a cidade e a província de Maputo necessitam de produzir cerca de 500 mil metros cúbicos de água por dia para satisfazer a procura da população, mas a capacidade atual situa-se em aproximadamente 300 mil metros cúbicos diários.

“Significa que aqui há uma diferença significativa de cerca de 50% a 60% entre aquilo que deveríamos estar a produzir e aquilo que é preciso para satisfazer as necessidades das pessoas”, admitiu.

Devido a esse défice, a empresa recebe mensalmente mais de 1.200 reclamações numa carteira de cerca de 260 mil clientes, estando a maior parte das queixas relacionada com faturação considerada elevada pelos consumidores.

“A quantidade de água que temos não é suficiente para abastecer toda a gente, mas ainda assim, dentro dessas condições, estamos a ver que tipo de intervenções técnicas podem ser feitas de modo a minimizar as faltas de água”, referiu.

O responsável anunciou ainda interrupções programadas no abastecimento para permitir trabalhos de manutenção e melhoria das linhas e condutas de distribuição em vários pontos da região.

Jânio Langa avançou igualmente que foi elaborado um plano de contingência para assegurar a disponibilidade de água face às previsões associadas ao fenómeno El Niño e ao aumento do consumo durante a quadra festiva.

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