
Rabat, 04 nov 2026 (Lusa) — Marrocos reafirmou hoje que o compromisso com o cessar-fogo assinado com a Frente Polisário em 1991 não será alterado com o fim do mandato da missão das Nações Unidas no Saara Ocidental (Minurso), indicou o Gabinete Real.
Segundo um comunicado, o Rei Mohammed VI reuniu-se com altos responsáveis civis e militares, a quem deu instruções para “o respeito rigoroso pela integridade territorial do reino, pela sua segurança nacional e pela tranquilidade dos seus cidadãos, em particular da população das províncias do sul”, numa referência ao território do Saara Ocidental.
O monarca alauita deu ainda instruções para a aplicação “firme e protetora” destas prioridades, de forma a “consolidar o consenso nacional e garantir a continuidade do projeto de desenvolvimento das províncias do sul e dos respetivos projetos estruturantes”.
Na reunião estiveram presentes a chefe do Governo, Fatima Ezzahra El Mansouri, o principal conselheiro real, Fouad Ali El Himma, o ministro do Interior, Abdelouafi Laftit, e o general Mohammed Berrid, inspetor-geral das Forças Armadas Reais (FAR).
Por outro lado, Mohammed VI ordenou que o Gabinete de Coordenação com a Minurso, tutelado pelo Ministério do Interior, acompanhe a retirada da missão do território sarauí, de modo a “contribuir para facilitar as diferentes medidas inerentes a esta operação e garantir que decorra de forma fluida e ordenada”, refere a nota.
Marrocos acusou a Missão das Nações Unidas para o Referendo no Saara Ocidental (Minurso) de ter sido, “em várias ocasiões, incapaz de fiscalizar o cumprimento do cessar-fogo e determinar as consequências daí decorrentes”, na sequência das violações atribuídas à Frente Polisário, movimento de luta pela libertação da antiga colónia espanhola desde 1975.
O comunicado do Palácio Real acrescenta que o contexto em que a missão foi criada e as funções que inicialmente lhe foram atribuídas estão “ultrapassados”, como demonstram os “factos e as posições dos atores internacionais”.
Esta nova reviravolta no processo de paz no Saara Ocidental surge depois de, na passada sexta-feira, o Conselho de Segurança da ONU não ter conseguido renovar o mandato da Minurso, destacada no território desde 1991 e que expirou a 31 de outubro, devido aos vetos cruzados dos Estados Unidos e da Rússia.
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