Philippe Jaenada vence Prémio Goncourt com romance “L’Inconnue du quai de Javel”

Paris, 03 nov 2026 (Lusa) — O escritor francês Philippe Jaenada venceu hoje o Prémio Goncourt, com o romance “L’Inconnue du quai de Javel”, que revisita um crime ocorrido em Paris em 1949, através de uma investigação literária sobre a morte de uma jovem modelo.

“L’Inconnue du quai de Javel”, publicado pela Flammarion, foi escolhido a partir de uma lista de quatro finalistas franceses, que contemplava também o escritor Yannick Haenel, com “La solitude des professeurs est infinie”, a escritora Clémentine Mélois, com “Choses que je croyais perdues”, e Sylvain Prudhomme, com “De l’autre côté du lac”.

O anúncio foi feito hoje no restaurante Drouant, em Paris, onde os membros da Academia Goncourt se reúnem tradicionalmente para escolher o vencedor do prémio.

Publicado em agosto, o romance recupera um caso criminal ocorrido em Paris, em setembro de 1949, quando o corpo de uma jovem mulher foi encontrado junto ao rio Sena, no cais de Javel.

Trata-se de uma investigação literária sobre o assassinato de Louise Cansot, de 29 anos, que trabalhava como modelo para artistas de Montparnasse e foi encontrada morta.

Apesar de terem sido identificados quatro suspeitos, a investigação policial acabou por ser arquivada, seis meses depois, por falta de provas.

Mais de sete décadas depois, Philippe Jaenada retomou o caso, recorrendo a arquivos, documentos e visitas aos locais relacionados com o crime, procurando reconstituir a vida da vítima e esclarecer um crime que permaneceu por resolver, recorrendo a métodos de investigação inspirados no comissário Maigret, personagem criada por Georges Simenon.

Este romance integrou também a seleção do Prémio Renaudot de 2026.

Nascido em 1964, Philippe Jaenada já tinha sido distinguido com o Prémio Femina, em 2017.

Quanto ao prémio Renaudot 2026, anunciado sempre a seguir ao Goncourt, foi atribuído ao escritor francês François-Henri Désérable, pelo romance “Le Palais” (editado pela Gallimard), que acompanha a história de um falsificador de grandes vinhos.

O prémio Renaudot, criado em 1926 por jornalistas e críticos literários que aguardavam o anúncio do Goncourt, celebra este ano o seu centenário.

A edição deste ano do Prémio Goncourt, um dos mais prestigiados das letras francesas, ficou marcada pela exclusão do romance “C’était ça ou mourir”, do escritor canadiano-haitiano Thélyson Orélien, da primeira seleção do prémio, na sequência de acusações de plágio e de utilização de inteligência artificial na escrita da obra.

A Academia Goncourt anunciou, em setembro, a retirada do livro, alegando que várias análises apontavam para uma utilização muito significativa de inteligência artificial na sua produção.

O presidente da academia, Philippe Claudel, admitiu posteriormente a possibilidade de alterar o regulamento do prémio para explicitar que apenas podem ser distinguidas obras escritas por seres humanos.

Philippe Jaenada sucede ao escritor Laurent Mauvignier, distinguido em 2025 com o romance “La Maison vide”, publicado pela Minuit.

Criado em 1903, o Prémio Goncourt tem um valor monetário simbólico de 10 euros, mas representa uma das mais importantes distinções literárias em língua francesa, com um impacto significativo nas vendas e na divulgação internacional das obras premiadas.

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