Comissão Eleitoral israelita descarta prolongamento do horário da votação

Telavive, 27 out 2026 (Lusa) — A Comissão Eleitoral Central israelita rejeitou hoje alargar o horário de votação para as eleições legislativas, como pediu o partido do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, numa jornada marcada por uma taxa de participação recorde.

O anúncio do órgão surge após o partido Likud ter pedido o prolongamento do horário de funcionamento das mesas de voto, devido à elevada afluência de eleitores e as longas esperas nos locais de votação.

O partido de extrema-direita Otzma Yehudit (Poder Judaico), liderado por Itamar Ben Gvir, juntou-se ao pedido do Likud para prolongar a votação.

A taxa de afluência às urnas tem alcançado recordes ao longo do dia e situava-se nos 66,7% às 18:00, constituindo um aumento substancial em relação aos 57,7% registados no mesmo período nas eleições de 2022.

Segundo o Canal 12 israelita, a Comissão Eleitoral Central afirmou que só tinha tomado conhecimento do suposto pedido do Likud através dos meios de comunicação social e que não tinha recebido qualquer pedido oficial do partido de Netanyahu.

Além disso, este órgão recordou que os eleitores que cheguem às secções de voto antes das 22:00 locais poderão ainda exercer o seu direito de voto.

O partido Yashar opôs-se ao pedido do partido do primeiro-ministro israelita de adiar o encerramento das urnas por considerar que tal poderia servir de pretexto para contestar posteriormente a legitimidade da votação.

“Não ocorreu nenhum incidente excecional que justificasse aceitar este pedido, cujo objetivo é preparar o terreno para alegações que ponham em causa a integridade da votação, prolongando assim as mentiras que Netanyahu não cessa de espalhar desde esta manhã”, declarou o partido de Gadi Eisenkot, o principal rival de Netanyahu nas eleições de hoje e que as sondagens colocam como favorito.

A maioria das mesas de voto abriu às 07:00 locais (05:00 em Lisboa) e a votação está prevista encerrar às 22:00 (20:00 em Lisboa).

Horas antes, o Yashar já tinha acusado o Likud de “preparar o terreno” para contestar os resultados em caso de derrota, após Netanyahu ter denunciado tentativas da oposição de “roubar as eleições”.

“Netanyahu está em pânico e a preparar o terreno para contestar os resultados”, afirmou o Yashar.

“Precisamos de ultrapassar o Likud com uma margem considerável, pois só assim não haverá espaço para semear dúvidas”, acrescentou, depois de o também primeiro-ministro ter renovado os ataques aos partidos árabes.

Netanyahu afirmou, depois de votar, que alguns partidos árabes tentaram “roubar as eleições”, após o anúncio da detenção de pessoas suspeitas de comprar votos.

O líder do Likud, que ao longo de toda a campanha eleitoral visou os partidos árabes israelitas, afirmou que “três altos responsáveis” do partido Raam (sigla que significa “Lista Árabe Unida”, em hebraico) foram detidos no sul do país na posse de envelopes com dinheiro.

O diretor-geral interino da Comissão Eleitoral Central, Dean Livneh, deu conta de um incidente “invulgar” durante uma conferência de imprensa, indicando que “a polícia tinha intercetado”, ainda antes da abertura das assembleias de voto, “indivíduos que tentavam comprar votos”.

Livneh acrescentou que os suspeitos, cuja identidade não foi divulgada, tinham sido detidos perto das respetivas residências e que estava em curso uma investigação.

O principal candidato israelo-árabe, Mansour Abbas, líder do Raam, reagiu às declarações de Netanyahu acusando-o de “mentir” ao afirmar que a minoria árabe tentou cometer fraude eleitoral.

“Benjamin Netanyahu está a mentir e a fazer declarações incendiárias contra a Lista Árabe Unida, usando-as como uma tática de medo para mobilizar os eleitores de direita e levá-los às urnas”, afirmou Abbas numa mensagem vídeo.

Tanto Netanyahu, como o seu principal rival, o antigo chefe do Exército Gadi Eisenkot, já votaram, num dia em que mais de 7,3 milhões de israelitas são chamados às urnas.

Nestas eleições, Netanyahu joga a sua permanência no poder após quatro anos marcados pelo ataque terrorista do Hamas, a 07 de outubro de 2023, frente a um bloco heterogéneo de forças que, liderado por Eisenkot, procura destroná-lo e pôr fim ao governo mais à direita que Israel teve desde a sua criação, em 1948.

 

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