
Buenos Aires, 27 out 2026 (Lusa) — A presidência da Argentina garantiu hoje não ter recebido um pedido de asilo por parte de Flávio Bolsonaro, o candidato derrotado nas eleições presidenciais no Brasil, a cujo resultado o Governo de Javier Milei reagiu dizendo que “tomou conhecimento”.
O porta-voz da presidência argentina, Adrián Ravier, afirmou que Flávio Bolsonaro, apoiado ativamente durante campanha eleitoral pelo Presidente argentino, o ultraliberal Javier Milei “não solicitou asilo” na Argentina.
Sobre as eleições de domingo, o porta-voz da presidência argentina afirmou que a “diplomacia continua”, mas que não haverá reconhecimento oficial do resultado.
“Já tomámos nota do resultado eleitoral e continuamos a trabalhar como sempre dentro do Mercosul, e todas as pessoas e empresas que da Argentina e do Brasil que queiram relacionar-se, poderão continuar a fazê-lo com total normalidade”, afirmou Adràn River.
Estas foram as primeiras declarações de um membro do governo de Milei após a vitória de Lula da Silva no domingo, em eleições que marcaram a história do Brasil.
Ravier deu uma conferência de imprensa numa altura em que meios de comunicação argentinos especulam sobre a possibilidade de Bolsonaro ter atravessado a fronteira e estar na Argentina, ao que a Direção de Migração respondeu que “não tem registo” disso.
A autoridade nacional de migração da Argentina afirmou também não ter registado nenhum voo com as características divulgadas pela imprensa local que dava conta da entrada de um voo privado que transportaria Flávio Bolsonaro.
A suspeita de uma possível viagem internacional surgiu um dia depois de Flávio Bolsonaro ter sido intimado a entregar os seus passaportes à Polícia Federal, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A decisão, tomada na noite de domingo, após a derrota frente a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na segunda volta das eleições, estabeleceu o prazo de 24 horas para a entrega dos passaportes comum e diplomático.
Em vídeo publicado nas redes sociais na segunda-feira, Flávio criticou a medida e afirmou que não pretendia deixar o país. “Eu vou entregar os meus passaportes e vou-me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, declarou.
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