Pelo menos 10 navios foram atacados no estreito de Ormuz desde domingo

Londres, 14 out 2026 (Lusa) — Pelo menos 10 navios foram atacados desde domingo no estreito de Ormuz, com um aumento significativo dos incidentes desde o início da guerra com o Irão, indicam dados hoje divulgados.

Quatro navios foram atingidos na terça-feira e seis no domingo, o maior número registado num único dia desde o início do conflito, com os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irão, no final de fevereiro.

Os dados foram compilados pela empresa de segurança Vanguard, pela Organização Marítima Internacional (OMI) e pela agência britânica de segurança marítima UKMTO.

Dois marinheiros estão dados como desaparecidos e um navio porta-contentores afundou-se na sequência dos ataques mais recentes, segundo fontes marítimas.

Os navios mercantes que atravessam a região começaram a ser atacados pelo Irão em março, em retaliação pelos ataques norte-americanos e israelitas contra território iraniano.

Teerão reivindica o controlo do estreito de Ormuz e tem atacado navios que atravessam a zona sem a sua autorização.

Antes da guerra, cerca de um quinto dos hidrocarbonetos comercializados mundialmente passava por esta via marítima.

Desde o início de outubro foram registados 23 ataques, quase o dobro da média mensal de incidentes desde o início da guerra.

O tráfego através de Ormuz “regressou recentemente a cerca de 80% dos níveis anteriores à guerra, apesar do conflito”, afirmou à agência France-Presse o analista da empresa britânica de segurança Vanguard Barun Gupta.

“Aumentar o ritmo dos ataques permite, portanto, a Teerão demonstrar que ainda pode perturbar esta recuperação e impor custos à navegação comercial e aos mercados energéticos mundiais”, acrescentou o especialista.

Gupta considerou ainda que a promessa feita na semana passada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, de não lançar novos ataques contra o Irão antes das eleições intercalares nos Estados Unidos poderá ajudar a explicar o aumento dos ataques.

Segundo o analista, essa posição poderá proporcionar a Teerão uma oportunidade para “aumentar a pressão com um risco imediato menor de uma escalada militar norte-americana”.

Vinte e quatro marinheiros morreram em ataques na região próxima do estreito de Ormuz desde o início do conflito, segundo a OMI.

 

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