Guiné-Bissau: Rede Internacional de Solidariedade convoca manifestações em África e na Europa

Lisboa, 09 out 2026 (Lusa) – A Rede Internacional de Solidariedade com a Guiné-Bissau, lançada hoje em Lisboa, que visa coordenar ações de apoio ao povo guineense, no seguimento do golpe de Estado, anunciou manifestações a 24 de outubro em várias capitais europeias e africanas.

“Na Europa vamos sair [às ruas] no dia 24 de outubro em Paris, Londres e Lisboa”, referiu à Lusa Mariano Quadé, 51 anos, ativista da sociedade civil guineense residente em Portugal e um dos coordenadores-adjuntos da Rede recém-criada.

No continente africano as manifestações estão convocadas, para o mesmo dia, na Praia, capital de Cabo Verde, e em Dacar, capital no Senegal, país que segundo Quadé “tem maior responsabilidade” por presidir atualmente à Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), “que justamente é a organização regional com responsabilidades para a reposição da ordem constitucional na Guiné-Bissau”.

“Esta rede internacional de solidariedade com o povo guineense foi criada justamente para a reposição da ordem constitucional”, sublinhou Quadé, que foi dirigente da campanha de Fernando Dias à presidência da Guiné-Bissau e que tem sido crítico da inação da comunidade internacional perante a situação política que a Guiné-Bissau está a viver.

“Estamos num período de governo militar ilegal na Guiné- Bissau”, afirmou, defendendo a necessidade de se “continuar a exercer a pressão sobre a CEDEAO, a União Africana [UA], as Nações Unidas [ONU] para que de facto pressionem este regime militar a cumprir com as suas deliberações, nomeadamente a última deliberação da CEDEAO, que visa a reposição da ordem constitucional, tomada em dezembro de 2025, [e que] ainda não produziu efeitos no terreno”.

Para Quadé, estas situações “são dívidas para com a democracia, são dívidas para com o povo guineense”, que foi às urnas e que teve os votos validados pelos representantes da CEDEAO, da UA e da ONU, como eleições “livres, justas e transparentes”.

Mas, lamentou, essas organizações “são incapazes de fazer as suas deliberações produzirem efeitos no terreno e isso é uma dívida que existe com o povo guineense e com a democracia no seu todo a nível mundial”.

A Rede Internacional de Solidariedade com a Guiné-Bissau “é uma coligação internacional de organizações progressistas, revolucionárias e democráticas, dirigentes políticos e aliados de diferentes países, criada para coordenar ações de solidariedade e apoio ao povo guineense”, lê-se no comunicado da organização.

Na nota, a Rede apresenta como principais objetivos “restaurar a ordem constitucional e a democracia, exigir o regresso dos militares aos quartéis e pôr fim ao regime militar, exigir a divulgação e o reconhecimento dos resultados oficiais das eleições de novembro de 2025”.

A rejeição do “referendo inconstitucional de 30 de agosto de 2026, por procurar consolidar o regime militar; pôr fim à repressão política, incluindo execuções extrajudiciais, sequestros, tortura, espancamentos e detenções arbitrárias; libertar imediatamente todos os presos políticos; exigir a reabertura e a devolução das sedes nacionais do PAIGC e de outros partidos da oposição, garantindo o seu livre funcionamento”, são outros objetivos.

Da lista consta ainda “organizar a mobilização e a pressão internacional junto da CEDEAO, da UA e das Nações Unidas, e, promover a educação e a organização política, fortalecendo a participação internacional em apoio ao povo guineense”.

Segundo o comunicado enviado às redações, participam na Rede, coordenada por Elsa Pontes Betu, representantes e quadros do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), da Aliança Africana dos Partidos Revolucionários (A-APRP), da Black Alliance for Peace (BAP), da West African People’s Organization (WAPO), da World Anti-Imperialist Platform (WAP), do Pan-Africanism Today (PAT), do Movimento Socialista do Gana, bem como estruturas juvenis e regionais, incluindo a Juventude Africana Amílcar Cabral (JAAC) França e a União Democrática das Mulheres (UDEMU).

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