Pedro Proença convenceu Cristiano Ronaldo a ficar na seleção após Mundial2026

Lisboa, 06 out 2026 (Lusa) — O presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença, demoveu Cristiano Ronaldo de terminar a carreira na seleção portuguesa após o Mundial2026, afirmou hoje o avançado, que concordou com a contratação de Jorge Jesus para selecionador.

“Após o Mundial2026, preparei uma carta aos portugueses, que ainda guardo, com as palavras que lhes quero dirigir quando abandonar, definitivamente, a nossa equipa. No final da competição, logo no voo de regresso dos Estados Unidos, o presidente da FPF pediu e insistiu que eu ponderasse a decisão de sair porque a FPF queria que eu continuasse”, detalhou.

Menos de uma semana depois de ter deixado a concentração da equipa das ‘quinas’, em Copenhaga, Ronaldo deu conta, “na primeira pessoa e de forma direta”, das “circunstâncias que envolveram o último estágio da seleção nacional”, recordando, numa carta a que a Lusa teve acesso, o regresso a Portugal após a eliminação frente à Espanha, nos ‘oitavos’ do último Mundial.

“Logo a seguir pediu que lhe desse a minha opinião sobre o nome do atual Selecionador e que ele estava a ponderar, a par de outros nomes que não me revelou. Respondi ao presidente da FPF que, em minha opinião, seria a escolha certa”, recordou.

Por isso, no dia em que o atual selecionador foi apresentado, Ronaldo diz ter ficado “genuinamente feliz pela escolha”.

“Era a opção certa, como os resultados vão comprovando”, reiterou Ronaldo, sem nunca escrever o nome de Jorge Jesus, o técnico que orientou o ‘seu’ Al Nassr rumo ao título saudita, na época passada.

O avançado, de 41 anos, assumiu um encontro com o treinador, de 72, no final das suas férias, na Cidade do Futebol, em Oeiras, onde acordaram o plano de utilização para os primeiros quatro jogos da Liga das Nações.

“O selecionador disse-me nesse dia que contava comigo e que a minha presença era fundamental para o seu projeto”, vincou, recordando ainda ter recebido o técnico, a seu pedido, na sua casa, em Lisboa, antes do estágio da equipa das ‘quinas’.

“A conversa foi tranquila e todos os princípios combinados em agosto foram mantidos”, acrescentou.

Cristiano Ronaldo recusou ser dispensado dos jogos na Dinamarca e na Noruega, até por ser capitão, tendo alinhado na receção aos noruegueses, em Lisboa, sem pensar que pudesse ser o último jogo pela equipa das ‘quinas’.

“Joguei o jogo de Alvalade, e apesar de substituído, não fiz nenhum problema. Coloquei a braçadeira eu mesmo ao Bruno Fernandes, longe de imaginar que pudesse estar a dar os últimos passos, como atleta e capitão da seleção nacional. O importante desse dia, para mim, foi a nossa vitória. Ganhar é sempre bom, em Portugal e pelo meu País, ainda melhor”, reconheceu.

Depois, deixou o relvado após não ter jogado frente à Noruega sem saudar os adeptos lusos e abandonou o estágio da seleção, em Copenhaga, reiterando ter-se disponibilizado, a Jesus e a Proença, para terminar a carreira internacional.

“Aliás, numa conversa que mantive com o presidente da FPF e com o selecionador na manhã do dia dessa conferência de imprensa, podem confirmar seguramente, reafirmei que se não me quisessem ali mo dissessem. Bastava serem francos comigo. Eu aceitaria isso e prometi que prepararíamos algo bonito, como sonho que aconteça, e ninguém ficaria zangado. Lembro-me como se fosse hoje. Responderam em uníssono que não. Que o meu lugar era na seleção nacional”, vincou.

Agora, o antigo avançado de Sporting, Manchester United, Real Madrid e Juventus, após apresentar os pedidos de desculpas por escrito aos adeptos e companheiros de seleção, assume-se como responsável.

Aproveitando a abertura que Proença e Jesus lhe deixaram para o regresso à seleção, Ronaldo disponibiliza-se para cumprir um castigo e regressar a tempo de ser homenageado.

“Tenho ouvido muito falar em jogos de despedida, que tenho que ter uma despedida digna e que a FPF me quer dar essa oportunidade. Aprendi na vida, com fome e sem nada para comer muitas vezes, que ninguém dá nada a ninguém. Posso prometer a todos os meus fãs, naturalmente e em especial a todos os portugueses, que faremos um ou mais jogos de despedida, haverá tempo para isso. Mas quando penso na seleção o que eu penso mesmo é em competir”, rematou.

Cristiano Ronaldo, de 41 anos, é o recordista de jogos (com 234), e golos pela seleção portuguesa (146), tendo capitaneado a equipa das ‘quinas’ nos triunfos no Campeonato da Europa de 2016 e nas edições de 2019 e 2025 da Liga das Nações.

O avançado foi titular na vitória caseira por 1-0 frente ao País de Gales, na primeira jornada do Grupo A4 da Liga das Nações, em 24 de setembro, tendo sido suplente não utilizado no triunfo na visita à Noruega (2-1), três dias depois, e abandonado o relvado insatisfeito, sem se juntar aos companheiros de seleção nos agradecimentos aos adeptos lusos.

Após este episódio, o presidente da FPF, Pedro Proença, viajou para a capital dinamarquesa, tendo, na passada quarta-feira, dia 30 de setembro, Ronaldo abandonado o estágio da equipa das ‘quinas’, na sequência da conferência de imprensa de antevisão ao jogo com a Dinamarca, do selecionador Jorge Jesus.

JP // AJO

Lusa/Fim