
Maputo, 06 out 2026 (Lusa) — A Unicef e o Projeto de Restauração da Gorongosa assinaram hoje um memorando para o desenvolvimento de programas de educação, saúde e proteção ambiental que deverá beneficiar as crianças, adolescentes e jovens das comunidades da província moçambicana de Sofala.
“Esta parceria representa muito mais do que a formalização de uma colaboração. Representa um compromisso comum com o presente e o futuro das crianças, dos adolescentes e dos jovens da província de Sofala”, disse Mary Eagleton, representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no país, em Maputo.
Falando durante a cerimónia de assinatura do memorando com o Projeto de Restauração da Gorongosa, que gere o Parque Nacional da Gorongosa, a responsável assinalou que uma das prioridades será a capacitação de jovens para a vida e para o mercado de trabalho através de formação em competências profissionais, empreendedorismo, processamento de alimentos e utilização de energias renováveis.
“Assim, os jovens poderão gerar rendimento, responder às necessidades locais e contribuir para uma economia mais verde”, afirmou.
Segundo Mary Eagleton, a parceria permitirá combinar a experiência do Unicef em saúde, nutrição, educação e mobilização comunitária com o trabalho desenvolvido na conservação da biodiversidade e no desenvolvimento das comunidades vizinhas do parque pelo projeto da Gorongosa, uma das mais emblemáticas áreas de conservação, localizada no centro de Moçambique.
“É uma parceria onde cada parceiro aporta as suas competências, as suas técnicas e as suas finanças às populações perto do Parque Nacional da Gorongosa”, afirmou, sublinhando que o memorando não assenta numa lógica de financiamento entre instituições, mas na conjugação de capacidades para ampliar o impacto das intervenções.
Para a presidente do Projeto de Restauração da Gorongosa, Aurora Malene, a preservação ambiental só será sustentável se vier acompanhada de investimento nas pessoas.
A responsável defendeu que os jovens das comunidades locais são os futuros guardiões do património natural do país: “Eles vão carregar consigo o legado da proteção daquele tesouro natural que pertence a eles, pertence a cada um de nós”.
A presidente do projeto acrescentou que a parceria surge numa fase em que a sustentabilidade dos resultados alcançados depende de uma aposta continuada na educação e na capacitação das novas gerações, destacando ainda a digitalização como uma das componentes estratégicas da cooperação.
“Se nós podemos, em conjunto, dar um salto qualitativo, levando aquelas crianças e aqueles jovens à experiência da digitalização, por que não abraçar isto?”, declarou.
O memorando tem uma vigência inicial de dois anos e abrange três áreas prioritárias: educação e proteção da criança, saúde, nutrição, água, saneamento e higiene, e ainda ambiente, clima e juventude.
O Projeto de Restauração da Gorongosa resulta de uma parceria entre o Governo moçambicano e a fundação do filantropo norte-americano Greg Carr. Em 2008, a fundação assinou um acordo de gestão do parque por 20 anos, posteriormente prolongado por mais 25 anos, em 2018.
Ao longo desse período, o número de animais de grande porte aumentou de cerca de 10.000 para mais de 110.000, enquanto os projetos de conservação passaram a incluir iniciativas em áreas como agricultura sustentável, produção de café e mel, educação e apoio às populações vizinhas.
Localizado no distrito de Gorongosa, na província de Sofala, junto ao limite sul do Grande Vale do Rift Africano, o parque é considerado uma das principais reservas naturais de Moçambique e um dos destinos mais reputados de turismo de natureza do país.
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