PCP e BE criticam discurso de Seguro, Livre quer o Chega fora dos acordos de regime

Lisboa, 05 out 2026 (Lusa) — O PCP e o Bloco de Esquerda criticaram hoje o elogio feito pelo Presidente da República à aproximação entre Governo e PS no Orçamento, enquanto o Livre considerou essencial excluir o Chega dos acordos de regime.

No final da cerimónia comemorativa da implantação da República, na Praça do Município, em Lisboa, o dirigente do PCP e vereador da Câmara da capital, João Ferreira, classificou como “contraditório” o discurso antes proferido pelo Presidente da República.

Na sua perspetiva, a situação presente “exige uma rutura com as políticas que estão a destruir o Serviço Nacional de Saúde, que provocaram a crise na habitação e que criaram um nível de desigualdades no país em que os ricos estão cada vez mais ricos e uma grande maioria da população enfrenta o aumento imparável do custo de vida”.

“Ora, não podemos pensar que atacar as causas dos problemas – como disse o Presidente da República que era necessário fazer – e encontrar as novas soluções para esses problemas de sempre se faz apelando a entendimentos entre aqueles que nos trouxeram a estes mesmos problemas. Isso não é possível”, declarou João Ferreira.

Para o dirigente do PCP, “é contraditório que o Presidente da República apele a um entendimento, nomeadamente entre o PS e o PSD, entendimento que está ele mesmo na origem dos problemas que hoje enfrentamos”.

“Precisamos de um entendimento para a rutura com estas políticas”, contrapôs.

Já a co-porta-voz e líder parlamentar do Livre, Isabel Mendes Lopes, disse que os entendimentos políticos “têm de ser feitos com base em valores” democráticos.

“Isso não se consegue com entendimentos com uma extrema-direita que não está interessada em assegurar valores como o da igualdade e, depois, se procura apoios no outro lado do Parlamento”, assinalou, numa alusão à linha seguida pelo executivo PSD/CDS.

Os entendimentos, advogou Isabel Mendes Lopes, “fazem-se com quem partilha o mesmo espaço democrático e o mesmo amor à República, mas não é isso que temos vindo a assistir por parte do Governo”.

“Em véspera de discussão do Orçamento, está a ser preparada uma lei absolutamente cruel que provocará uma desproteção dos inquilinos. O Presidente da República quer soluções de longo prazo, uma visão de futuro para o país, mas o Governo não está a seguir esses princípios, porque negoceia com quem não respeita e República e as instituições”, acrescentou, em mais uma referência ao Chega.

Por sua vez, o coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, considerou que o Presidente da República avalizou uma linha política com a qual está em divergência e defendeu que “a única convergência que importa é a que melhora a vida das pessoas”.

“Uma convergência política ao centro, cada vez que se materializa, é uma porta aberta para a radicalização à direita”, advertiu.

José Manuel Pureza referiu depois que uma das promessas da República é a igualdade.

“Podemos inventar discursos sobre divergências e convergências, mas o que conta são as políticas de igualdade neste dia da República”, disse, antes de abordar “a segunda promessa” do atual Regime nascido em 5 de Outubro de 1910: “Uma vida em comum melhor para todos”.

“Mas, hoje, o que temos é uma vida melhor só para alguns, que acumulam lucros esmagadores e obscenos. Ser republicano é escolher políticas que vão ao encontro da maioria”, afirmou.

O coordenador do Bloco de Esquerda disse que não precisa de ver a proposta de Orçamento do Estado para 2027 para saber que será “o espelho das políticas financeiras do Governo”.

“Optar por viabilizar esse Orçamento é optar por viabilizar essas políticas, o que é um erro”, acrescentou, numa crítica ao PS

 

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