Chapo afasta risco de rutura total de combustíveis em Moçambique apesar da crise

Maputo, 03 out 2026 (Lusa) — O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, afastou hoje o cenário de uma interrupção generalizada do abastecimento de combustíveis no país, reconhecendo, contudo, a existência de dificuldades pontuais decorrentes da atual conjuntura internacional, nomeadamente o conflito no Médio Oriente.

“A guerra ainda não terminou. E não tendo terminado, esta crise que se está a observar não é só de Moçambique. É uma crise de escassez de combustíveis no mundo”, disse o chefe de Estado moçambicano, durante numa conferência de imprensa que marcou o fim da sua visita de trabalho à província de Gaza, no sul do país.

Segundo Daniel Chapo, os constrangimentos registados em Moçambique refletem uma crise de alcance mundial e o Governo tem estado a gerir situações localizadas de escassez, que são posteriormente resolvidas através do reabastecimento.

“O que nós temos feito é realmente gerir esta crise. Tem havido um ponto que durante um dia há escassez, mas logo depois consegue-se repor”, disse.

O chefe de Estado relacionou os atuais constrangimentos com os efeitos do conflito no Médio Oriente sobre o mercado internacional de combustíveis, apontando as perturbações na circulação de petróleo através do estreito de Ormuz como um dos fatores que afetam o abastecimento mundial. Ainda assim, o Presidente insistiu que não existe risco de paralisação do país por falta de combustíveis.

“Mas a rutura total de combustível ao nível do país não vai acontecer”, afirmou, para defender que uma eventual normalização da situação geopolítica poderá traduzir-se em maior estabilidade dos preços e do abastecimento.

“Vamos ver se a guerra termina. Se a guerra terminar, se os combustíveis no estreito de Ormuz começarem a circular normalmente, como vinham circulando antes, temos a certeza absoluta que os preços dos combustíveis vão ficar estabilizados ao nível do mundo”, afirmou.

Segundo Chapo, esse cenário teria reflexos diretos sobre a economia moçambicana: “Consequentemente Moçambique também vai ter uma estabilidade”.

O Presidente comparou ainda a atual situação com a pandemia da covid-19, argumentando que crises globais exigem capacidade de adaptação por parte dos governos e das populações.

Para Chapo, a atual crise energética também deverá ser enfrentada mediante medidas de gestão e adaptação enquanto persistirem os fatores externos que pressionam os mercados internacionais.

Em agosto, o Governo moçambicano disse estar a analisar as causas da nova vaga de escassez de combustíveis em várias zonas do país, após semanas de relativa normalização do abastecimento que se seguiu à crise em abril e maio.

“Ainda se está a fazer uma análise para perceber o que é que se está a passar efetivamente para que se esteja a vivenciar, aparentemente, ou esteja, pelo menos, a iniciar uma segunda vaga de escassez”, disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, no final da reunião do executivo, em Maputo.

Questionado pelos jornalistas, o porta-voz admitiu que o executivo tem conhecimento da situação, com postos encerrados sem combustível e filas para o abastecimento nas que funcionam, assegurando que o Governo está a recolher informação para apurar as causas do problema.

Entre abril e maio, a escassez de gasolina e gasóleo provocou filas de dezenas de viaturas e levou ao reforço da presença da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) da polícia em postos de abastecimento que dispunham de combustível, para garantir a segurança e controlar a afluência de automobilistas, motociclistas e consumidores munidos de recipientes.

O preço do gasóleo acabou por aumentar 45,5% e o da gasolina 12,1% em 07 de maio, tendo o Governo justificado a revisão dos preços com a evolução do mercado internacional e com dificuldades de fornecimento associadas ao conflito no Médio Oriente.

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