
Pontevedra, Espanha, 02 out 2026 (Lusa) — A segunda vice-presidente Ceuta alertou hoje que os residentes da região estão “privados de direitos fundamentais” devido à “invasão de imigrantes” e pediu um plano de segurança nacional para a fronteira.
“Os ceutis têm cerceados os direitos fundamentais. Não podemos permitir esta falta de liberdade. Não há direito que continuemos na mesma situação passados 60 dias. Não nos abandoneis”, pediu Kissy Chandiramani, segunda vice-presidente daquela cidade autónoma espanhola, durante um debate no segundo dia da 8.ª edição do Fórum La Toja — Vínculo Atlântico, que decorre até sábado em La Toja, província de Pontevedra, na Galiza, Espanha.
A responsável explicou que os moradores da cidade autónoma espanhola estão “impedidos de usufruir do espaço público porque as praças estão ocupadas”, não podem “sair à rua a partir de determinada hora” e levam as crianças à escola ou vão ao supermercado “com proteção militar”.
Para Kissy Chandiramani, “a segurança de Ceuta tem de depender de Madrid e Bruxelas” e urge “um plano de segurança nacional”.
“A segurança não pode estar nas mãos de Rabat [capital de Marrocos]”, vincou.
Kissy Chandiramani considera fundamental “proteger a cidade”, notando que, passados dois meses, “não se colocou um ladrilho para reforçar a fronteira”.
São precisos “mais meios, mais guarda civil, mais polícia” e “um plano de segurança nacional”.
“Prometeram-nos esse plano e quando chegou esta ameaça, não havia plano”, criticou.
A responsável disse ainda que a insegurança sentida pelos ceutis “não é uma questão subjetiva”, antes uma questão “muito objetiva”.
No final de julho, entraram ilegalmente em Ceuta 72 mil pessoas, segundo o Governo Espanhol, ou 80 a 90 mil, de acordo com o executivo da cidade.
“Não quero misturar imigração com segurança. Mas a população de Ceuta quer viver com normalidade, recuperar as suas praças. Não podemos sair a partir das 18:00”, revelou.
A segunda vice-presidente considera que a cidade autónoma de Ceuta sofreu “um ataque híbrido” e “uma invasão”, na qual “foram usadas pessoas migrantes”.
“Entendo que é preciso respeitar os direitos humanos, mas a resposta não pode ser nada. É fundamental que se construa uma realidade de proteção para Ceuta e Melilla”, disse.
Por outro lado, “Ceuta precisa de saber a verdade”.
“O que aconteceu com o Governo e os diferentes ministérios que tinham de intervir? E com Marrocos, o que aconteceu? Por ação ou omissão, provocou-se esta invasão”, afirmou.
“Espanha não pode perder a integridade territorial. Em Ceuta não vamos desistir, vamos defender a bandeira. Em Ceuta joga-se muito mais do que um território de 19 quilómetros quadrados”, sublinhou.
A segunda vice-presidente de Ceuta explicou que fala em invasão porque ainda hoje sente “a cidade invadida”, com “todos os espaços ocupados”.
Ceuta quer que “as pessoas voltem por onde entraram”, frisou.
“Há gente que diz que não se pode fazer. Eu digo que sim, e que se pode fazer de acordo com a lei”, acrescentou.
No debate, Bernardino León, ex-secretário de Estado de Assuntos Externos (2004-2008) defendeu a necessidade de “recuperar a confiança” entre Espanha e Marrocos, pois é isso que permite “gerir uma relação bilateral”.
Referiu também a necessidade de consenso, que “foi perdido e é preciso recuperar”.
Acresce que é preciso “reequilibrar a relação, redimensioná-la” e “ver se os acordos precisam de uma revisão ou se são precisos acordos novos”, descreveu.
Para o político, “seria um erro muito grande seguir como se não tivesse acontecido nada”.
É também necessário “definir uma linha política de longo prazo com Marrocos”.
“Marrocos tem de dar uma explicação”, sustentou, explicando que com isto não pretende culpabilizar o país, mas por considerar que é algo “fundamental para definir novos acordos e relações”.
Ildefonso Castro, secretário de Estado de Assuntos Externos entre 2017-2018, sustentou que a política externa “tem de regressar ao parlamento, senão é impossível chegar a consenso e acordos”.
ACG (MP) // PSC
Lusa/fim



