
Nações Unidas, 02 out 2026 (Lusa) – O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou hoje para a escalada da violência no Corno da África, após o aumento das tensões entre a Etiópia e a Eritreia, e pediu moderação e diálogo.
“Estamos preocupados com o aumento das tensões entre os países do Corno de África numa altura em que a unidade, o diálogo e a cooperação são tão urgentemente necessários para apoiar a paz e a estabilidade na região”, disse o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, em conferência de imprensa.
Ao falar sobre o aumento das tensões entre os dois países após o rompimento das relações diplomáticas, Dujarric fez eco dos apelos de Guterres por moderação.
“O secretário-geral apela a todos os Estados para que exerçam moderação, se abstenham de quaisquer ações que possam inflamar ainda mais as tensões e se comprometam a resolver as suas diferenças através do diálogo”, instou, na sede da ONU, em Nova Iorque.
Após anos de relações tensas, a Etiópia anunciou na quinta-feira o encerramento da sua embaixada na Eritreia e a expulsão de dez diplomatas daquele país, o que foi seguido por um anúncio da Eritreia sobre o rompimento completo das relações.
A relação entre os dois países tem passado por vários altos e baixos desde que a Eritreia, um dos regimes mais fechados e repressivos do mundo e que é conhecido como a “Coreia do Norte de África”, se tornou independente da Etiópia em 1993.
Após um acordo de paz em 2018 e um pacto para lutar juntos na guerra que eclodiu em 2020 contra a Frente Popular para a Libertação de Tigray (TPLF), partido governante da região e força dominante na política etíope desde 1991, as relações deterioraram-se nos últimos anos.
Primeiro em 2023, quando o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, tentou recuperar o acesso do seu país ao Mar Vermelho, e, mais tarde, depois de acusar a Eritreia de interferir nos seus assuntos internos ao apoiar grupos rebeldes e de oposição, apesar da rejeição do Presidente, Isaias Afwerki.
As tensões aumentaram até ao colapso diplomático desta semana, que ocorreu em plena intensificação dos combates na Etiópia, no norte do país, após a TPLF ter anunciado uma “guerra defensiva” contra o Governo federal na semana passada.
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