Turismo em Moçambique com novos máximos na procura e no emprego em 2025 – INE

Maputo, 30 set 2026 (Lusa) – Maputo consolidou-se em 2025 como principal destino turístico moçambicano em volume, ultrapassando pela primeira vez 2,1 milhões de dormidas e 616 mil hóspedes, com o setor a somar novos máximos de procura e emprego no país.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a que a Lusa teve hoje acesso, os estabelecimentos hoteleiros moçambicanos receberam 2.133.138 hóspedes em 2025, entre nacionais e estrangeiros, mais 278 mil do que em 2024.

Esse crescimento foi impulsionado sobretudo pelo turismo interno, que aumentou 16,7%, passando de 1.097.864 hóspedes nacionais em 2024 para 1.280.961 em 2025.

O número de hóspedes estrangeiros também continuou a crescer, embora a um ritmo mais moderado, aumentando 12,5%, de 757.458 para 852.177.

No total, o país recebeu mais 715.971 hóspedes do que em 2021, quando os estabelecimentos de alojamento contabilizaram 1.355.767 clientes.

As dormidas também atingiram um novo máximo, com os hóspedes nacionais a gerarem 3.040.613 dormidas em 2025, mais 22% do que as 2.492.847 registadas no ano anterior e mais do dobro das 1.254.644 contabilizadas em 2021.

Entre os estrangeiros, as dormidas aumentaram de 2.281.766 para 2.531.320, uma subida de 10,9%, acumulando um crescimento de cerca de 200% face às 843.367 registadas em 2021.

No total, os estabelecimentos turísticos em Moçambique registaram 5.571.933 dormidas em 2025, mais 797 mil do que no ano anterior.

A província de Maputo destacou-se como principal destino turístico do país, recebendo, entre turistas nacionais e estrangeiros, 616.354 hóspedes em 2025, acima dos 490.750 registados em 2024, correspondendo a quase 29% do total nacional.

Maputo liderou igualmente em número de dormidas, com 2.179.691, mais 607 mil do que no ano anterior e quase quatro vezes acima das 549.977 registadas em 2021.

A província concentrou sozinha 39% de todas as dormidas registadas nos estabelecimentos turísticos do país.

Inhambane, considerada a capital turística de Moçambique, permaneceu como o segundo principal polo turístico nacional.

A província contabilizou 241.616 hóspedes em 2025 e 1.602.158 dormidas, mantendo-se muito acima dos restantes destinos turísticos do país e continuando a liderar entre os turistas estrangeiros.

Sozinha, Inhambane recebeu 144.466 hóspedes estrangeiros e registou 1.126.834 dormidas deste segmento, os valores mais elevados entre todas as províncias.

A cidade de Maputo manteve igualmente uma posição relevante, com 418.634 hóspedes e 453.537 dormidas, embora permanecendo atrás da província de Maputo e de Inhambane.

Os dados mostram ainda uma recuperação expressiva em várias regiões do país. Em Sofala, o número de hóspedes aumentou de 92.485 para 133.848 entre 2024 e 2025, enquanto em Niassa passou de 60.365 para 85.161.

Cabo Delgado registou um dos maiores crescimentos relativos, avançando de 44.716 para 60.603 hóspedes, apesar de permanecer abaixo dos principais destinos nacionais.

O crescimento da atividade turística refletiu-se igualmente no emprego, com o número de trabalhadores ao serviço dos estabelecimentos hoteleiros a aumentar de 80.196 para 91.216 em 2025, um crescimento de 13,7%.

Em 2021, no início da série disponibilizada pelo INE, o setor empregava 4.977 trabalhadores, embora a evolução dos dados sugira alterações metodológicas na contabilização deste indicador nos anos seguintes.

Em 2025, a cidade de Maputo concentrava o maior número de trabalhadores do setor, com 30.032, seguida da província de Maputo, com 22.165.

Apesar dos máximos de hóspedes, dormidas e emprego, o peso económico do turismo diminuiu ligeiramente.

O INE estima que o Valor Acrescentado Bruto (VAB) direto do setor cresceu de 52,4 mil milhões de meticais (729 milhões de euros) para 53,8 mil milhões de meticais (748 milhões de euros) entre 2024 e 2025, enquanto a contribuição direta para o Produto Interno Bruto (PIB) recuou de 3,61% para 3,57%.

PVJ // SB

Lusa/Fim