
Madrid, 28 set 2026 (Lusa) – Os protestos pela crise na habitação em Espanha estenderam-se hoje a várias cidades além de Madrid, com centenas de pessoas a juntarem-se em manifestações em Barcelona, Málaga, Sevilha ou Córdova ao longo da tarde e noite.
Em Barcelona, onde está hoje o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, houve várias mobilizações e protestos ao longo do dia, nos locais por onde passou o líder do Governo.
Ao início da noite, centenas de pessoas cortaram a avenida Diagonal de Barcelona, perto do Palácio dos Congressos, onde decorre uma gala do jornal La Vanguardia em que está Pedro Sánchez.
Os manifestantes exibiam cartazes com mensagens como “Todas somos Maricarmen”, “Stop despejos”, “Contratos [de arrendamento] indefinidos já” ou “Greve geral já” e entoam cânticos como “Abaixo os fundos abutre”, “Onde está o Governo progressista” ou “Não pode ser, gente sem casas e casa sem gente”.
Os meios de comunicação social espanhóis noticiaram também concentrações e protestos hoje à tarde e início da noite com centenas de pessoas em defesa de medidas para a habitação e proteção de inquilinos em Málaga, Córdoba e Sevilha.
Segundo a televisão pública TVE, houve manifestações numa dezena de cidades.
Em Madrid, centenas de pessoas instaladas em cerca de 400 tendas continuam acampadas na praça Porta do Sol, exigindo que o Governo de Sánchez aprove na terça-feira, na reunião semanal do Conselho de Ministros, um decreto com medidas para a habitação.
Os protestos por causa da crise na habitação e a dificuldade crescente de acesso a uma casa têm-se sucedido na última semana em várias cidades de Espanha, com especial dimensão em Madrid, depois do despejo pela polícia de Maricarmen Abascal, de 87 anos, do apartamento no centro da capital espanhola em que viveu desde 1956.
Sob o lema “nem uma Maricarmen mais”, 300 mil pessoas, segundo a associação Sindicato de Inquilinas e Inquilinos de Madrid, e 25.000, segundo as autoridades, manifestaram-se no sábado nas ruas da cidade e centenas estão desde esse dia acampadas na praça Porta do Sol.
O Sindicato das Inquilinas e Inquilinos exige ao Governo a aprovação na terça-feira, pelo Conselho de Ministros, de um “decreto Maricarmen”, que impeça despejos de inquilinos vulneráveis como Maricarmen Abascal, idosa e sem uma alternativa de alojamento.
Entre outras reivindicações, a associação exige também a renovação automática de contratos de arrendamento, sem subidas aleatórias da renda, quando os inquilinos estão a cumprir com as obrigações de pagamento.
Se o “decreto Maricarmen” não sair do Conselho de Ministros, o acampamento no coração histórico e turístico de Madrid vai continuar, por tempo indefinido, assim como outros protestos, já garantiu o Sindicato das Inquilinas e Inquilinos.
Face à pressão nas ruas e apelos diretos da própria Maricarmen Abascal, o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, revelou no domingo que o Governo e o PSOE estão a “trabalhar em contrarrelógio” para levar na terça-feira ao Conselho de Ministros um decreto com várias medidas para a habitação.
“E peço aos grupos parlamentares um último esforço para que seja aprovado no parlamento”, afirmou Sánchez.
Em Espanha, para um decreto do Governo se manter em vigor tem de ser ratificado pelo parlamento num prazo máximo de 30 dias.
Segundo dados oficiais, este ano tem havido uma média de 44 despejos diários em Espanha.
Em 10 anos, o preço médio do metro quadrado no arrendamento no país quase duplicou, atingindo os 15,1 euros/m² em agosto, de acordo com o portal imobiliário Idealista.
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