
Jerusalém, Israel, 28 set 2026 (Lusa) — O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, negou hoje ter mantido contactos pessoais com o chefe de serviços de informação do Egito, ou quaisquer outros estrangeiros, antes dos ataques do grupo islamita palestiniano Hamas, em 07 de outubro de 2023.
Em comunicado, o gabinete do chefe do Governo alegou que Netanyahu “não se encontrou nem falou com Abbas Kamel, que na altura chefiava o Serviço Geral de Informações do Egito”, antes dos ataques das milícias palestinianas no sul de Israel, que provocaram cerca de 1.200 mortos e desencadearam a guerra na Faixa de Gaza.
Do mesmo modo, afirmou que, nos meses que antecederam os ataques liderados pelo Hamas, “nenhum oficial dos serviços de informação israelitas transmitiu um alerta egípcio ao primeiro-ministro”.
O The Wall Street Journal e a revista The Atlantic noticiaram nos últimos dias que Abbas Kamel transmitiu vários avisos às autoridades israelitas, incluindo uma breve visita ao Aeroporto de Telavive e um telefonema para o próprio Netanyahu sobre os planos dos islamitas da Faixa de Gaza.
Netanyahu ordenou que fosse apresentada uma queixa por difamação após estas notícias, embora não tenha especificado contra quem, insistindo que nenhuma agência de informações israelita transmitiu um alerta egípcio ao primeiro-ministro.
O comunicado de hoje condena uma campanha “vil e mentirosa” dos “meios de comunicação social de esquerda” para lhe atribuir todos “os fracassos e crimes” de Ronen Bar, chefe dos serviços de informações internas de Israel (Shin Bet) na altura dos ataques.
“Bar manteve inúmeras conversas com o então chefe das forças armadas, Herzi Halevi, e com o chefe dos serviços de informações militares, nas quais discutiram todos os indícios reveladores. Apesar disso, decidiu não telefonar nem informar o primeiro-ministro, não alertar as unidades de vigilância nem as forças do exército no terreno, não evacuar o Festival Nova e enviar apenas uma pequena equipa tática”, referiu o comunicado do gabinete governamental.
Em resposta, Ronen Bar já anunciou a intenção de processar o chefe do Governo israelita.
As notícias sobre os alertas do Egito surgem depois de o jornal israelita Haaretz ter relatado que Netanyahu recebeu igualmente avisos prévios dos Emirados Árabes Unidos sobre uma possível operação do Hamas em Israel.
Numa visita não anunciada, o primeiro-ministro deslocou-se no domingo aos Emirados para se reunir com o seu líder, segundo as agências internacionais e vários órgãos de comunicação social de Israel, depois de a primeira notícia ter sido divulgada pela estação televisiva israelita Canal 12.
Nem Israel nem os Emirados comentaram a viagem, que, de acordo com uma fonte citada pela agência Associated Press (AP), que foi informada do conteúdo dos contactos, serviu para Netanyahu pedir ao Presidente dos Emirados, Mohamed bin Zayed al-Nahyan, que desmentisse o aviso prévio das autoridades do país árabe sobre os ataques do Hamas.
O primeiro-ministro israelita já tinha desmentido anteriormente o alerta divulgado pelo Haaretz e anunciou a intenção de avançar com um processo contra o jornal.
Hoje, o Shin Bet interpôs uma ação judicial contra o Canal 12 por “grave violação da censura”, depois de a emissora ter noticiado o encontro do primeiro-ministro israelita com Mohammed bin Zayed al-Nahyan.
O gabinete de Netanyahu anunciou ter solicitado esta ação junto do chefe do Departamento de Censura Militar para que o canal 12 seja processado com todo o rigor da lei, pois “a notícia pôs em risco a vida do primeiro-ministro e da sua mulher, bem como a da delegação que o acompanhava”, incluindo elementos do Shin Bet e do serviço de informações externas, Mossad.
No comunicado hoje divulgado pelo seu gabinete, o primeiro-ministro israelita acusou ainda os países árabes de estarem entre “os Estados e atores estrangeiros e hostis” que visam derrubar o seu Governo e levar a oposição ao poder, mais os seus alegados planos de retirada militar da Faixa de Gaza, Líbano, Síria e Cisjordânia, bem como aceitar o Estado Palestiniano.
“Essa é a questão eleitoral: ou a direita, ou a Palestina”, declarou, a propósito das próximas legislativas, em 27 de outubro, cujas sondagens apontam para resultados muito apertados, sem que nenhum dos blocos favoráveis ao Governo ou à oposição consiga o controlo do parlamento.
Benjamin Netanyahu tem responsabilizado reiteradamente os serviços de segurança pela incapacidade em antecipar e enfrentar os ataques do Hamas e, mais recentemente, alegou que, se tivesse sido acordado mais cedo na manhã de 07 de outubro de 2023, poderia ter ordenado ações rápidas e eficientes.
Segundo a imprensa israelita, os principais líderes da oposição reuniram-se no sábado e um dos temas em que chegaram a acordo foi a criação de uma comissão de inquérito estatal ao 07 de Outubro após as eleições.
HB // SCA
Lusa/Fim



