
Bruxelas, 28 set 2026 (Lusa) — A ministra do Ambiente e da Energia afirmou hoje que Portugal não prevê uma disrupção no fornecimento de gás, apesar da instabilidade nos mercados energéticos face à atual crise e das reservas em mínimos históricos na União Europeia (UE).
“Temos fornecedores que têm sido, até agora, fornecedores muito estáveis e, portanto, não prevemos ter uma disrupção no fornecimento de gás”, disse Maria da Graça Carvalho.
Em declarações aos jornalistas portugueses em Bruxelas após reuniões com responsáveis da Comissão Europeia, a governante apontou que Portugal, que é um dos 18 Estados-membros com reservas de gás, regista atualmente um preenchimento de 94% antes ao arranque da estação fria, apesar de tal armazenamento ser de menor dimensão face aos restantes países.
“Nós temos 94% das nossas reservas [preenchidas] portanto, em média, estamos melhor do que o resto da Europa, mas a nossa reserva não é grande, portanto, temos 94% de uma reserva que não é muito grande, mas nós vamos gerindo as questões” e “estamos a acompanhar”, explicou a ministra da Energia.
Maria da Graça Carvalho destacou a diversificação dos fornecedores de gás a Portugal — de países como Argélia, Nigéria, Brasil e Estados Unidos –, que “nunca falharam nos seus fornecimentos”.
“Temos contratos estáveis e, portanto, esperamos que tudo corra bem”, acrescentou.
Perante eventuais problemas de abastecimento e as maiores necessidades de aquecimento nos países mais frios, poderá colocar-se a necessidade de partilhar reservas de gás entre os 27 Estados-membros da União Europeia, tendo em conta que apenas 18 dispõem de capacidade de armazenamento.
Para já, temos as reservas praticamente cheias e temos acautelado o fornecimento e estamos relativamente tranquilos, mas preocupados e a acompanhar”, acrescentou.
A posição portuguesa surge num momento de elevada volatilidade nos mercados energéticos europeus.
A Comissão Europeia tem vindo a assegurar que não existe um risco imediato para a segurança do abastecimento de gás na União Europeia, apesar de os níveis de armazenamento estarem abaixo dos registados em anos anteriores.
Bruxelas considera que a UE está hoje mais preparada do que durante a crise de 2021-2022, nomeadamente devido à diversificação das fontes de abastecimento, ao aumento da capacidade de importação de gás natural liquefeito e à redução da procura de gás.
O executivo comunitário mantém, contudo, o alerta sobre a volatilidade dos mercados, dada a atual crise energética relacionada com o conflito no Médio Oriente e que tem provocado aumentos dos preços dos combustíveis fósseis, numa UE ainda dependente das importações.
Segundo a Comissão Europeia, não existe neste momento uma preocupação imediata com a segurança do abastecimento para o inverno de 2026-2027, mas a evolução dos mercados continua a ser acompanhada de perto.
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