
Maputo, 07 set 2026 (Lusa) — O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, anunciou hoje que 10% dos projetos agrÃcolas passarão a ser reservados aos veteranos da luta de libertação nacional, como uma forma de integrar os antigos combatentes na estratégia de conquista da independência económica.
“Temos a honra de vos comunicar que o Governo decidiu que, a partir deste ano, 10% dos projetos do setor da agricultura serão reservados para veteranos da luta pela libertação nacional em todo o paÃs”, declarou o chefe de Estado moçambicano, durante as celebrações do Dia da Vitória, em Maputo.
Segundo o chefe de Estado, a medida visa garantir que os antigos combatentes participem ativamente no desenvolvimento económico nacional.
Com este gesto, queremos que aqueles que ajudaram a libertar a terra e os homens também participem no desenvolvimento sustentável nesta marcha rumo à independência económica”, assinalou.
Quando passam 52 anos desde que, em 07 de setembro de 1974, a Frente de Libertação de Moçambique e o Governo colonial português assinaram, em Lusaca, capital da Zâmbia, os Acordos de Lusaka, que abriram caminho para a proclamação da independência de Moçambique, em 25 de junho de 1975, Daniel Chapo defendeu que, depois de meio século dedicado à consolidação do Estado moçambicano e à defesa da soberania nacional, a nova prioridade do paÃs deve ser a independência económica.
“Para os próximos anos, lançamos a nossa visão de que os esforços de todos os moçambicanos, unidos do Rovuma ao Maputo, devem estar focados na luta pela independência económica”, afirmou.
O Presidente disse que o objetivo passa por construir uma economia mais competitiva, capaz de gerar emprego e riqueza para os cidadãos, com particular enfoque na juventude.
“Queremos empresas moçambicanas capazes de competir em pé de igualdade com as estrangeiras. Queremos que os nossos jovens participem mais nas cadeias de valor porque são a prioridade da nossa governação”, declarou.
Na intervenção, Chapo enalteceu igualmente o legado dos combatentes da luta de libertação nacional, considerando que a assinatura dos Acordos de Lusaka resultou da resistência armada, diplomática e clandestina conduzida pela Frelimo – partido no poder desde a independência nacional – contra o regime colonial português.
“A nossa vitória resultou de coragem, valentia e patriotismo na frente do combate, na frente diplomática e na frente clandestina”, afirmou, sustentando que o reconhecimento do direito à autodeterminação dos moçambicanos não foi “um ato de generosidade do regime colonial”.
O chefe de Estado apelou ainda à preservação da memória histórica das gerações que conduziram a luta anticolonial, defendendo que o conhecimento do passado é essencial para enfrentar os desafios do presente: “Um povo que esquece a sua história corre o risco de perder a sua identidade”.
Dirigindo-se particularmente aos jovens, Chapo pediu que rejeitem a violência e façam da educação, da ciência e do empreendedorismo os instrumentos da transformação do paÃs.
“A vossa luta deve ser de conhecimento, de ciência, de tecnologia, de produção e de empreendedorismo para a transformação económica deste nosso Moçambique”, declarou.
Na área da segurança, o Presidente afirmou que Moçambique não regista qualquer caso de rapto desde 7 de outubro de 2025, apesar das tentativas de atuação de redes criminosas.
“Nós queremos um Moçambique livre de raptos, livre do terrorismo, livre de branqueamento de capitais, livre de tráfico de drogas”, declarou.
Sobre a situação em Cabo Delgado, Chapo afirmou que nenhuma vila ou sede distrital da provÃncia se encontra atualmente sob controlo dos grupos armados que protagonizam a insurgência na região, garantindo que as forças de defesa e segurança continuarão a combater o terrorismo.
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