Vice-presidente filipina paga fiança após detenção por ameaças a chefe de Estado

Banguecoque, 05 set 2026 (Lusa) – A vice-presidente filipina, Sara Duterte, pagou hoje a fiança fixada pelo tribunal que ordenou que fosse detida por ameaças ao Presidente Ferdinand Marcos Jr., num contexto de confronto entre líderes das principais dinastias políticas do país.

Duterte – filha do ex-presidente Rodrigo Duterte (2016-2022), detido em Haia por alegados crimes contra a humanidade durante a campanha antidroga — afirmou à saída do tribunal de Quezon City, acompanhada pelos advogados, que se sentia insegura e que tinha recebido ameaças, de acordo com notícias dos principais ‘media’ filipinos.

O advogado Paul Lawrence Lim confirmou que Duterte pagou uma fiança de 120 mil pesos filipinos (1.635 euros) por cada uma das três acusações de ameaças graves que constituem o processo, de acordo com um vídeo da emissora ABS-CBN, no qual os defensores saem do tribunal, onde apoiantes da vice-presidente se reuniram numa demonstração de apoio.

O mandado de detenção foi emitido na sexta-feira, após o tribunal ter determinado que existem indícios suficientes para levar a vice-presidente a julgamento por três acusações de ameaças graves.

O caso remonta ao final de 2024, quando, em plena rutura com Marcos Jr., filho do ex-líder Ferdinand Marcos, Duterte afirmou ter contratado alguém para matar o Presidente, a mulher e o então presidente da Câmara dos Representantes, caso ela fosse assassinada. A vice-presidente argumentou, posteriormente, que as palavras tinham sido tiradas do contexto.

A vice-presidente e Marcos Jr. formaram uma aliança para as eleições de 2022 e obtiveram uma vitória esmagadora nas urnas, antes de romperem relações devido a disputas políticas que resultaram na saída de Duterte do Governo em junho de 2024.

“Resta saber se os filipinos encaram isto como um exercício de prestação de contas ou como uma perseguição política”, afirmou na rede social X o politólogo Cleve V. Arguelles, fundador da empresa de investigação de opinião pública Momentum Research.

“Têm assediado o local onde se encontram a minha mãe e o meu filho. Para onde vou? Se pagar a fiança, o assédio não vai cessar. Se não a pagar, irei à polícia. Não confio na polícia nem nos tribunais. Quem responderá se eu morrer esta noite? Quem prestará contas? […]. Não me sinto segura de todo”, afirmou Duterte à chegada ao tribunal, em declarações ao jornal Philstar, um dos principais do país.

A vice-presidente enfrenta um processo de destituição paralelo no Senado por várias acusações, como abuso de poder e corrupção, que incluem também ameaças ao Presidente. O veredito é esperado antes do final do ano e poderá resultar na destituição e inelegibilidade, frustrando assim a ambição presidencial com vista às eleições de 2028.

CAD // JNM

Lusa/Fim