
Lichinga, Moçambique, 04 set 2026 (Lusa) — Pelo menos uma pessoa morreu e cerca de duas mil foram deslocadas após uma incursão insurgente que destruiu um acampamento turÃstico associado ao ex-treinador luso-moçambicano Carlos Queiroz, na provÃncia moçambicana de Niassa, avançaram hoje as autoridades.
“Temos mais de 2.000 pessoas, como nós dissemos, no local de acolhimento”, disse o secretário de Estado em Niassa, Silva Livone, citado pela comunicação social.
Para Livone, o número de vÃtimas, que inclui somente uma morte, continua a surpreender devido à dimensão daquele ataque surpresa registado na quinta-feira, durante o qual o acampamento turÃstico da Mozambique Wild Adventures (MWA) foi saqueado, queimado e vandalizado pelos insurgentes, que levaram ainda viaturas e incendiaram outras, incluindo residências.
“Deixaram-nos avultados danos materiais, relativamente poucos danos humanos, mas ainda estamos no terreno a trabalhar. Tivemos muita pressão durante a noite de ontem, não dormimos”, descreveu o dirigente, referindo-se à situação que obrigou ao deslocamento de cerca de duas mil pessoas, que, garantiu, estão a receber assistência num centro de acolhimento.
Segundo Silva Livone, os insurgentes provêm da provÃncia vizinha de Cabo Delgado, também no norte do paÃs, rica em gás, afetada pela insurgência desde 2017, e procuram reforçar a sua logÃstica através de incursões recorrentes em Niassa.
“Do ‘modus operandi’, do comportamento que tiveram, literalmente, conduziu-nos a esta conclusão de que os terroristas vieram à procura de reforçar a sua base logÃstica em termos de mantimentos”, afirmou Livone, apelando à vigilância das comunidades, enquanto decorrem trabalhos para apurar os impactos gerais daquela incursão armada.
Até ao momento, acrescentou, os insurgentes incendiaram viaturas, um centro de saúde, o acampamento da MWA e um posto policial.
A Lusa noticiou anteriormente que o ataque na Coutada de Marangira provocou prejuÃzos de milhões de euros num acampamento de safáris associado ao ex-treinador luso-moçambicano Carlos Queiroz, segundo meios de comunicação locais.
Desde o ataque ao local, cuja concessão foi atribuÃda pelo Governo em 2014, não existem comunicações com a área, mas a organização ambientalista Mozambique Bio, citando fontes locais, refere a “destruição e perda de um investimento estimado em 3,5 milhões de dólares”, realizado “ao longo de mais de uma década pelo empresário e professor Carlos Queiroz”.
A organização acrescenta que se encontravam no local três turistas estrangeiros, que se encontram em segurança, “apesar de terem perdido documentos pessoais e dinheiro durante o assalto”, enquanto “cerca de 15 colaboradores do acampamento terão abandonado as instalações e procurado refúgio no mato”.
Desde 2017, a provÃncia de Cabo Delgado enfrenta uma insurgência armada que já provocou mais de 6.600 mortos e mais de 1,2 milhão de deslocados. Esses ataques alastraram-se, com incursões pontuais, em 2025, à s vizinhas provÃncias de Niassa e Nampula.
A violência armada em Cabo Delgado provocou 1.401 deslocados em agosto e os incidentes de conflito aumentaram 10% no primeiro semestre face ao perÃodo homólogo, alertaram hoje as Nações Unidas num novo retrato humanitário em Moçambique, divulgado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).
VIYS (PVJ) //
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