
Ceuta, Espanha, 03 set 2026 (Lusa) – Centenas de residentes de Ceuta regressaram hoje às ruas em protesto contra os centros de detenção para migrantes que estão a ser preparados pelo governo como passo preliminar para a sua expulsão do enclave espanhol no norte de África.
Os protestos dos moradores concentraram-se desta vez numa zona aberta junto a uma creche que está a ser preparada pelo governo, bem como contra o anúncio de mais um centro de detenção no Cais Oeste do porto, junto a duas zonas residenciais.
O protesto, que contou também com o apoio de moradores de outros bairros, teve como objetivo manifestar a sua oposição à localização do novo centro de acolhimento de migrantes junto a estes dois núcleos populacionais.
Os manifestantes, que bloquearam o trânsito na zona, interrompendo os desembarques desde o porto de Algeciras (Cádiz), quiseram deixar clara a sua rejeição à administração do Estado, proprietária do terreno.
Os moradores leram uma declaração a manifestar a sua “preocupação e discordância” com a instalação deste centro de acolhimento para migrantes na zona portuária.
Também hoje à tarde trabalhadores, famílias e moradores realizaram mais um protesto na esplanada junto à creche Nossa Senhora de África, que está a ser preparada para acolher mais um centro de acolhimento para migrantes.
O protesto levou mesmo à paralisação dos trabalhadores, depois de os afetados terem deixado claro que pretendem continuar com as ações até que o governo reverta a sua decisão de construir o colonato junto a um centro educativo para crianças dos 0 aos 3 anos.
As famílias denunciaram também a insegurança gerada por esta situação.
Mais de 70.000 pessoas entraram ilegalmente em Ceuta entre 30 e 31 de julho, naquilo que o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, qualificou como uma “violação da integridade territorial de Espanha” e pela qual responsabilizou as máfias de tráfico de seres humanos que deturparam uma sentença recente sobre devoluções de migrantes que chegam a Espanha a nado.
Mais de 90% das pessoas que entraram ilegalmente no enclave espanhol no norte de África, que tem fronteira com Marrocos, saíram de Ceuta nas horas e nos dias imediatos, mas pelo menos 5.000 permanecem na cidade, incluindo milhares que estão nas ruas.
Sánchez considerou que Espanha e a Europa foram alvo de um ataque em Ceuta que usou a imigração e no qual estiveram também envolvidos Israel e Rússia, com a amplificação nas redes sociais de desinformação relativa ao ocorrido.
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