Morreu a jornalista e feminista Gloria Steinem aos 92 anos

Washington, 03 set 2026 (Lusa) – A escritora e jornalista norte-americana Gloria Steinem, ativista do feminismo, morreu aos 92 anos, anunciou hoje a Fundação Gloria nas redes sociais.

“Gloria Steinem morreu ontem [quarta-feira] pacificamente em casa, em Nova Iorque, rodeada pelos seus entes queridos”, indicou em comunicado a Fundação Gloria, sem especificar a causa da morte, mas elogiando “quase 100 anos (…) bem plenos” e dedicados “à luta pela igualdade até ao fim”.

“O maior dom de Gloria era a capacidade de ouvir os outros, de os fazer sentir compreendidos e ouvidos. As suas palavras, ações e exemplo deram às pessoas a liberdade de serem elas próprias. Gloria viveu fiel ao seu espírito independente, sempre curiosa e com um grande sentido de humor”, acrescentou.

Steinem nasceu a 25 de março de 1934 e, devido às frequentes mudanças da família pelos Estados Unidos, não frequentou a escola regularmente até aos 11 anos.

Estudou Ciências Políticas no Smith College, uma área de estudo pouco comum para as mulheres. Depois de se formar, fez um aborto ilegal.

Trabalhou como diretora do Serviço de Investigação Independente, uma organização financiada pela agência de informações norte-americana CIA, mas cedo se dedicou ao jornalismo, escrevendo para a revista Esquire sobre temas que afetavam as mulheres.

Na década de 1960, contribuiu também para o programa de rádio Huntington Hartford Show e infiltrou-se no Playboy Club, em Nova Iorque, como coelhinha da Playboy para expor as condições em que aquelas mulheres viviam.

Foi membro fundador da revista New York Magazine em 1968 e, após a cobertura de um evento sobre o aborto, cunhou o conceito de “liberdade reprodutiva”, ou seja, a liberdade de ter filhos ou não.

Juntamente com outras feministas como Bella Abzug e Betty Friedan, criou o Women’s National Political Caucus e, na década de 1970, cofundou a primeira revista feminista, “Ms.”.

A mensagem no seu perfil indicava que Steinem “passou os seus últimos anos a fazer as duas coisas que mais gostava: partilhar com os outros e escrever”.

A escritora, que sofreu de cancro da mama na década de 1980, ganhou o Prémio Princesa das Astúrias de Comunicação e Humanidades em Espanha, em 2021.

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