
Lisboa, 03 set 2026 (Lusa) — O comandante do comando metropolitano de Lisboa da PSP pediu hoje mais investimento no apoio aos toxicodependentes, sustentando que o combate ao tráfico e consumo de droga “não é só da polÃcia”, mas também da saúde e segurança social.
Em entrevista à agência Lusa, o superintendente-chefe LuÃs Elias falou sobre o aumento do tráfico e consumo de droga na área do comando metropolitano de Lisboa da PSP (Cometlis) e da sua relação com alguma criminalidade, nomeadamente furtos a estabelecimentos e residências e os assaltos a pessoas nas ruas.
“O tráfico e o consumo de estupefacientes está no epicentro da criminalidade em Portugal. Já o esteve no passado, nomeadamente na década de 90, quando tivemos a epidemia de consumo de heroÃna, e volta a estar outra vez no epicentro, nomeadamente, muito associado ao consumo de cocaÃna”, disse, acrescentando que há também atualmente um aumento do consumo de drogas sintéticas e de ‘crack’.
Segundo LuÃs Elias, o consumo de cocaÃna “democratizou-se” e “deixou de ser uma droga das elites, passando a ser consumida por vários estratos sociais” devido ao preço reduzido e ao aumento da oferta, além de estar a ser atualmente vendida “muito adulterada”.
O comandante do Cometlis adiantou que “o consumo de cocaÃna está concentrado em determinados locais” de Lisboa e reconheceu que o consumo de droga na rua tem “impacto no sentimento de insegurança das pessoas”, salientando que a PSP procura combater este fenómeno do ponto de vista do tráfico.
No entanto, lembrou que o consumo é “encarado pelo legislador como um problema de saúde pública” desde o ano 2000, devendo o problema dos toxicodependentes ser tratado também pelo sistema de saúde e pela segurança social.
“É importante também chamar aqui a necessidade de investimento, de fundos públicos, de apoio aos toxicodependentes. Penso que é muito importante voltar a investir em equipas de rua. O investimento dá-nos a sensação de que a determinada altura deixou de ser uma prioridade tão grande e é necessário voltar a investir”, apelou.
De acordo com LuÃs Elias, as equipas de rua existem atualmente, mas “com menos dimensão”, sendo necessário trabalhar nos programas de substituição, no acompanhamento e consumo assistido.
O comandante destacou que há “um certo aumento do consumo na via pública por haver falta de resposta” ao nÃvel da saúde e do acompanhamento.
“É um trabalho que não é só da polÃcia. Claramente que a toxicodependência, o consumo está no epicentro também de algum tipo de criminalidade, mas a resposta em relação à toxicodependência não deve ser dada iminentemente pela polÃcia, mas pelo sistema de saúde”, considerou.
Esclareceu também que a PSP tem investido no combate ao tráfico de droga e a sua intervenção com alguns toxicodependentes tem a ver com o facto de alguns deles serem suspeitos de crimes.
“É com alguma estupefação que vejo alguns comentadores abordarem a questão de que há pessoas a consumir na via pública. Mas isso não é um trabalho da polÃcia. Ou seja, se estão à espera que a polÃcia vá aos locais onde haja consumo a céu aberto e, simplesmente, tente afastar os toxicodependentes da via pública, pode estar em causa o cometimento de crimes por parte dos polÃcias e nós temos que ter segurança jurÃdica na nossa atuação”, frisou.
LuÃs Elias indicou ainda que há centenas de toxicodependentes em Lisboa que são sem-abrigo, precisando: “Há muitas pessoas a viver na rua fruto de comportamentos aditivos, quer seja do álcool ou droga. Tem que haver uma resposta social para estas pessoas. E não podem esperar que seja a PolÃcia de Segurança Pública a resolver o problema da mendicidade e da toxicodependência, já que o nosso foco tem que ser naquilo que é previsto e punido na lei como crime”.
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