
Jerusalém, 02 set 2026 (Lusa) – Israel está pronto para retirar os habitantes da Faixa de Gaza assim que os Estados unidos deem aval, afirmou hoje o ministro da Defesa israelita, que não vê uma solução para o enclave palestiniano “sem esta migração”.
Numa conferência organizada pelo portal de notÃcias israelita Ynet, Israel Katz observou que o plano de migração em grande escala na Faixa de Gaza foi “apenas congelado” pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, após pressão do mundo árabe, mas nunca saiu de cima da mesa.
“Continua a ser objeto de discussões, inclusive agora. E julgo que, no final, não há outra solução para benefÃcio de todos. Mas, para que isso aconteça, precisamos dos Estados Unidos, e esse momento chegará”, declarou o governante, citado na imprensa israelita.
Katz considerou que a decisão chegará “quando se tornar claro que o Hamas não está a cumprir os seus compromissos”, no âmbito do roteiro do Conselho da Paz para a Faixa de Gaza sobre a segunda fase do cessar-fogo entre Israel e o grupo islamita palestiniano que governa o território.
“Então teremos luz verde para avançar militarmente, territorialmente e noutras áreas também”, prosseguiu.
Pouco depois do seu regresso à Casa Branca, Donald Trump admitiu em fevereiro de 2025 “assumir o controlo” da Faixa de Gaza e reconstruÃ-la, transformando-a na nova “Riviera do Médio Oriente”.
Ao mesmo tempo, defendeu o realojamento definitivo da população palestiniana nos paÃses vizinhos, que de imediato rejeitaram a ideia, enquanto a generalidade da comunidade internacional reagia com palavras de condenação.
Nas suas declarações durante a conferência, o ministro da Defesa israelita referiu pesquisas a indicar que “80% [dos habitantes do enclave] querem emigrar”, embora não precise a sua fonte, mas acrescentou que o Hamas “não os deixa sair e não há nenhum paÃs no mundo que os absorva”.
O Governo israelita está “organizado e pronto a retirá-los por mar, por ar, por qualquer meio possÃvel”, frisou.
Israel Katz tem vindo a defender há vários meses esta medida, apresentada como uma emigração voluntária dos habitantes da Faixa de Gaza. O seu colega das Finanças, o ultranacionalista Bezalel Smotrich, chegou a sugerir que fosse alargada aos palestinianos da Cisjordânia.
A deslocação forçada de uma população civil é um crime de guerra segundo o Direito Internacional.
O destino dos territórios palestinianos ocupados é um dos temas centrais das legislativas em Israel, em 27 de outubro, bem como as circunstâncias dos ataques liderados pelo Hamas há quase três anos no sul de Israel, que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza.
O conflito foi suspenso por um frágil cessar-fogo desde outubro do ano passado, apesar de os dois lados se acusarem mutuamente de sucessivas violações da trégua e não terem chegado a acordo sobre as etapas seguintes do processo de paz.
A proposta do Conselho da Paz para a Faixa de Gaza foi aceite pelo Hamas, mas recusada pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, enquanto não ficar concluÃdo o processo de desarmamento das milÃcias palestinianas e a desmilitarização do território.
Esta rejeição foi hoje reforçada pelo chefe do Governo israelita, numa rara deslocação ao enclave palestiniano, acompanhado pelas chefias militares.
“Estamos a fazer tudo para atingir o nosso objetivo: o desarmamento do Hamas e a desmilitarização de Gaza. Gaza deixará de representar uma ameaça para Israel. Esse objetivo já foi alcançado em grande parte, e ainda há muito trabalho a fazer e vamos fazê-lo”, Netanyahu.
O roteiro da entidade criada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, previa também a retirada gradual de Israel e a criação de um órgão tecnocrático palestiniano para gerir o território, a par do destacamento de uma força internacional de estabilização.
A guerra foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.
Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave, que provocou mais de 73 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo Hamas, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.
Desde o inÃcio do atual cessar-fogo, as autoridades da Faixa de Gaza contabilizam mais de 1.300 palestinianos mortos em ataques israelitas.
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