
Praia, 01 set 2026 (Lusa) — O Governo cabo-verdiano admitiu hoje a possibilidade de acionar programas de apoio a famÃlias rurais afetadas pela falta de chuva, que já provocou a perda de algumas áreas semeadas.
“Neste momento estamos a distribuir sementes para se fazer uma nova sementeira, porque sabemos que, tradicionalmente, as pessoas começam a trabalhar no ano agrÃcola mais cedo. Normalmente começa a partir de junho e várias [sementeiras] já foram perdidas”, afirmou a ministra da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, Eveline Ramos.
A ministra falava na abertura de um encontro técnico sobre o Plano Nacional de Investimento AgrÃcola, destinado a avaliar o trabalho desenvolvido na última década e a debater o futuro do setor até 2035.
Eveline Ramos disse que equipas do Governo estão no terreno a avaliar a situação agrÃcola e que os resultados serão posteriormente comunicados.
“Estamos à espera de chuva. Temos esperança que as coisas mudem”, afirmou, admitindo que, se necessário, será acionado um programa de mitigação dos efeitos das alterações climáticas, com apoio à alimentação dos animais e à s famÃlias rurais vulneráveis.
A ministra apontou ainda a falta de mão de obra, associada à saÃda de jovens do paÃs, como outro desafio para a agricultura, que poderá contribuir para a redução da área cultivada.
“Esse é um problema que temos de reconhecer, não é só na agricultura, mas em todos os setores. Esta situação de falta de mão de obra é um problema estrutural do paÃs, neste momento, com a saÃda dos jovens”, afirmou.
Eveline Ramos acrescentou que o Governo conta com a população que permanece no paÃs, mas reconheceu que a saÃda de jovens “terá implicações na área cultivada e haverá, com certeza, uma diminuição”.
Em Cabo Verde, a chuva concentra-se entre agosto e novembro, deixando longos perÃodos de seca no resto do ano.
Em julho, o Instituto Nacional de Meteorologia e GeofÃsica (INMG) previu para 2026 um inÃcio tardio da época das chuvas e precipitação entre deficitária e normal, além da possibilidade de perÃodos secos durante a estação.
O instituto alertou ainda que temperaturas acima da média poderiam aumentar o défice hÃdrico, sobretudo nas zonas agrÃcolas mais vulneráveis.
Em Santiago Norte, agricultores tinham alertado, em junho, para a incerteza quanto ao comportamento das chuvas e para o risco de perdas quando as sementes são lançadas após as primeiras precipitações e deixa de chover nos dias seguintes.
Â
RS // JMC
Lusa/Fim



