
Rio de Janeiro, 01 set 2026 (Lusa) – O Governo do Brasil afirmou que vai continuar a procurar um acordo comercial mutuamente benéfico com os Estados Unidos, após uma reunião entre responsáveis pelas negociações destinadas a minimizar os direitos aduaneiros adicionais impostos por Washington em julho.
“O Governo brasileiro reitera que seguirá perseguindo um acordo equilibrado e mutuamente benéfico com os EUA, pautando-se sempre pelo respeito pelo diálogo e pela soberania nacional”, de acordo com um comunicado divulgado pelos negociadores brasileiros.
As duas partes concordaram na segunda-feira em voltar a reunir-se a nÃvel ministerial em breve, seja presencialmente ou virtualmente, para analisar os progressos alcançados nas negociações bilaterais que vão decorrer nas próximas semanas.
O comunicado foi divulgado após uma reunião virtual, realizada na tarde de segunda-feira, entre os ministros brasileiros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
O novo encontro ministerial foi acordado na sequência da conversa telefónica que os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump, mantiveram em 21 de agosto, na qual concordaram abrir um novo canal de diálogo e “reforçaram a perspetiva de uma solução negociada”.
Os dois lÃderes concordaram que permanecer à mesa das negociações é a melhor opção para resolver a crise provocada pela decisão de Washington de impor direitos aduaneiros adicionais que podem chegar aos 37,5% sobre uma parte dos produtos brasileiros importados.
O Governo brasileiro pretende aproveitar as negociações para convencer os Estados Unidos a eliminar as tarifas, ou pelo menos minimizar os efeitos com a inclusão de novos produtos nas listas de exceções.
Washington impôs uma tarifa de 25% sobre grande parte dos produtos brasileiros como sanção por supostas práticas comerciais desleais de BrasÃlia e outra de 12,5% devido à alegada tolerância das autoridades brasileiras em relação ao trabalho forçado.
Na reunião de segunda-feira, lê-se ainda no comunicado, os ministros brasileiros rejeitaram as “medidas unilaterais impostas contra o paÃs”, que classificaram como incompatÃveis com as regras multilaterais do comércio.
Os ministros reiteraram que as justificações apresentadas pelo Governo dos Estados Unidos nas conclusões das investigações “não correspondem à s efetivas práticas brasileiras”, pelo que consideram “injusto o tratamento discriminatório adotado” contra o paÃs.
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