
Nampula, Moçambique, 31 ago 2026 (Lusa) – A polÃcia moçambicana deteve seis pessoas e resgatou pelo menos 38 crianças vÃtimas de exploração infantil nos últimos três meses na provÃncia de Nampula, no norte de Moçambique, avançou hoje fonte oficial.
“Pedimos a vigilância de todos, principalmente dos pais e encarregados de educação. Sempre que houver uma informação semelhante, deve ser imediatamente denunciada à polÃcia”, disse o porta-voz da PolÃcia da República de Moçambique (PRM) em Nampula, Dércio Samuel, em conferência de imprensa.
Segundo a polÃcia, do total de crianças intercetadas, pelo menos 20 foram encontradas na estação ferroviária de Malema, naquela provÃncia do norte do paÃs. O caso mais recente envolveu 11 menores encontrados com dois suspeitos, entretanto detidos no sábado, no distrito de Mecuburi, na mesma provÃncia.
Segundo a polÃcia moçambicana, os 11 menores seriam explorados na produção agrÃcola, sendo que a detenção ocorreu na sequência de uma denúncia recebida pelo comando distrital, dando conta de que dois homens se encontravam na estação ferroviária de Namina, acompanhados por um grupo de menores, e preparavam-se para embarcar num comboio com destino a Cuamba.
“Recebemos uma denúncia que dava conta da existência de dois indivÃduos que estavam na companhia de 11 menores e que pretendiam embarcar com destino a Cuamba”, explicou hoje, em conferência de imprensa, o porta-voz da PRM em Nampula, Dércio Samuel.
A polÃcia explicou que intercetou os dois suspeitos e encaminhou-os, juntamente com os menores, para o posto policial de Namina, onde foi realizada a triagem e recolhida informação sobre a origem e o destino das crianças.
“Já no posto policial, os suspeitos terão admitido ter recrutado os menores no posto administrativo de Namina para posteriormente os levar para trabalhar nas machambas [campos agrÃcolas] dos distritos de Cuamba e Mandimba, na provÃncia do Niassa”, disse o porta-voz da polÃcia.
A polÃcia apelou a uma maior vigilância face aos casos de exploração infantil, pedindo aos pais e encarregados de educação que redobrem a atenção sobre os menores, sobretudo quando estes são abordados por pessoas que lhes prometem trabalho ou outras oportunidades fora das suas comunidades.
“Só o trabalho infantil já é um crime. Pedimos aos pais e encarregados de educação para que não compactuem com esta atividade criminosa”, alertou.
A polÃcia disse estar a investigar os casos e a trabalhar para responsabilizar os envolvidos.
Em fevereiro, o Presidente moçambicano pediu ao sistema judicial para proteger as crianças e responsabilizar os adultos que as recrutam para o crime, referindo que a infância não pode ser usada como “escudo para redes criminosas”.
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