
Maputo, 25 ago 2026 (Lusa) – O Hospital Central de Maputo (HCM), o maior de Moçambique, atendeu mais de três mil vÃtimas de acidentes de viação no primeiro semestre deste ano, dos quais resultaram 10 mortos, alertando para o aumento da sinistralidade envolvendo motorizadas.
“De janeiro a junho de 2026, registámos um total de 3.014 vÃtimas de acidentes de viação. E, destes casos, temos um fenómeno novo, que são os acidentes envolvendo motorizadas”, disse o porta-voz do HCM, Dino Lopes, em declarações aos jornalistas.
Os números comparam com o mesmo perÃodo de 2025, quando a maior unidade hospitalar do paÃs atendeu 3.124 vÃtimas de acidentes de viação, dos quais resultaram 13 mortos. Em 2026 foram registados 10 óbitos, traduzindo uma redução face ao perÃodo homólogo.
O porta-voz explicou que o hospital está particularmente preocupado com o aumento de acidentes envolvendo motorizadas, sobretudo entre pessoas dos 16 aos 40 anos, que chegam à unidade com fraturas graves dos membros inferiores e superiores, exigindo internamentos mais prolongados e aumentando os custos de tratamento.
Acrescentou que muitos pacientes dão entrada no hospital em estado “muito grave”, apresentando politraumatismos, traumatismos cranioencefálicos, traumatismos torácicos, fraturas diversas e perdas significativas de sangue, reconhecendo que a situação exerce forte pressão sobre os serviços da unidade sanitária.
“Isto pressiona muito o hospital no seu todo, principalmente os serviços de neurocirurgia e de ortopedia e traumatologia, porque muitos desses pacientes apresentam lesões na cabeça e outras lesões graves. Alguns são submetidos a cirurgia, enquanto outros necessitam apenas de tratamento conservador, mas com internamento prolongado, porque podem evoluir para hematomas, lesão axonal difusa ou edema cerebral”, explicou Dino Lopes.
A sinistralidade rodoviária continua a ser uma das principais causas de morte em Moçambique. Dados oficiais indicam que o paÃs registou 611 acidentes de viação em 2025, que provocaram 830 mortos, levando o Governo a avançar com a revisão do Código da Estrada.
Em junho, o Governo moçambicano aprovou, em Conselho de Ministros, uma autorização para a revisão do Código da Estrada, que prevê a introdução da carta de condução por pontos e o recurso a câmaras de videovigilância para fiscalização rodoviária.
A revisão prevê ainda o reforço dos mecanismos de fiscalização e controlo das infrações rodoviárias, bem como a harmonização das normas do Código da Estrada com a legislação penal nacional.
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