Paris e Riade pedem solução negociada para o Irão enquanto EUA intensificam ofensiva económica

Paris, 24 ago 2026 (Lusa) – França e a Arábia Saudita apelaram hoje para uma solução negociada para o conflito entre os Estados Unidos e o Irão e instaram Teerão a retomar plena cooperação com a Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA).

Este apelo de Paris e Riade surge no mesmo dia em que os Estados Unidos anunciaram uma nova ofensiva para isolar economicamente o Governo iraniano, com a imposição de um novo pacote de sanções económicas e ameaças de isolamento também aos países que mantiverem relações comerciais com a República Islâmica.

Num comunicado conjunto divulgado após uma reunião no Palácio do Eliseu, o Presidente francês, Emmanuel Macron, e o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, sublinharam a necessidade de evitar uma escalada ainda maior do conflito e de encontrar uma solução diplomática que assegure a segurança regional.

“É necessária uma solução negociada para evitar uma escalada ainda maior e garantir a segurança regional”, sustentaram os dois líderes no texto.

Macron e Bin Salman reiteraram também o seu apoio a uma solução diplomática que garanta a natureza pacífica do programa nuclear iraniano e apelaram a Teerão para que retome cooperação total com a agência nuclear da ONU.

Também a situação do estreito de Ormuz, por onde transita uma parte importante do comércio mundial de petróleo, ocupou um lugar de destaque na declaração franco-saudita.

Ambos os países condenaram os ataques a navios cargueiros e as ameaças à segurança das rotas marítimas e exortaram ao regresso à normalidade da navegação pelo estreito, com liberdade de circulação, tráfego comercial regular e sem portagens ou restrições diretas ou indiretas.

França e Arábia Saudita sublinharam ainda a necessidade de preservar a segurança das rotas marítimas e de reforçar a cooperação internacional para garantir o fornecimento de energia.

Na próxima sexta-feira, completam-se seis meses desde que os Estados Unidos e Israel lançaram, a 28 de fevereiro, um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.

O memorando de entendimento que proporcionou uma trégua temporária na guerra expirou, e não estão em curso negociações concretas para pôr fim ao conflito, mantendo Teerão o bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial e uma elevada percentagem de fertilizantes necessários ao cultivo de alimentos para a população mundial, ao passo que Washington impede a passagem de navios que tenham como origem ou destino portos iranianos.

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