
Maputo, 23 ago 2026 (Lusa) – A ExxonMobil contratou os gregos da Corinth Pipeworks para fornecer, por até 215 milhões de euros, 250 quilómetros de tubagens ao projeto Rovuma LNG, em Moçambique, reforçando o avanço de um dos maiores investimentos em gás em África.
A adjudicação foi feita pelos parceiros da Área 4, liderados pela ExxonMobil Moçambique, na qualidade de operador delegado do projeto Rovuma LNG Fase 1, anunciou a empresa grega, em comunicado.
O contrato tem um valor estimado entre 200 e 250 milhões de dólares (172 milhões e 215 milhões de euros) e prevê o fabrico de aproximadamente 250 quilómetros de tubagens de aço soldadas longitudinalmente por arco submerso (LSAW), equivalentes a cerca de 120 mil toneladas, destinadas à rede de gasodutos ‘offshore’ do empreendimento de extração e produção de Gás Natural Liquefeito (GNL).
O fornecimento inclui tubos com diâmetros entre 20 e 24 polegadas, bem como revestimentos anticorrosão e de betão, necessários para a instalação e operação em águas profundas, na bacia do Rovuma, Cabo Delgado.
Segundo a empresa grega, toda a produção será realizada na unidade industrial de Thisvi, na Grécia, sendo posteriormente enviada para Moçambique. A Corinth Pipeworks refere que as tubagens terão de responder às condições exigentes associadas à produção de gás natural em mar profundo, acrescentando que o contrato reforça a presença internacional da empresa no segmento de infraestruturas energéticas offshore.
A adjudicação surge poucos dias depois de a ExxonMobil anunciar contratos de pré-investimento avaliados em 1,1 mil milhões de dólares (947 milhões de euros) destinados à aquisição e fabrico de equipamentos críticos para o Rovuma LNG, numa indicação de que os parceiros estão a acelerar os preparativos para a decisão final de investimento (FID).
Na ocasião, a petrolífera norte-americana explicou que os contratos abrangiam serviços de engenharia, aquisição e fabrico de sistemas de produção submarina, válvulas de produção de grande diâmetro e gasodutos ‘offshore’.
A diretora-geral e presidente do conselho de administração da ExxonMobil em Moçambique, Johanna Boothey, considerou então que a adjudicação desses contratos representava “mais um passo importante para o avanço do projeto Rovuma LNG” e refletia “o forte compromisso dos parceiros da Área 4 com o desenvolvimento responsável dos recursos de gás natural de classe mundial de Moçambique”.
O anúncio da Corinth Pipeworks surge igualmente na sequência da seleção, pela ExxonMobil, do consórcio SMDC, integrado pelas empresas Saipem, McDermott Energy Solutions, Daewoo Engineering & Construction e China Petroleum Engineering & Construction Corporation, para executar os serviços de engenharia, aquisições e construção da primeira fase do desenvolvimento em terra.
O projeto Rovuma LNG é liderado pela ExxonMobil, enquanto operadora delegada da Área 4, em parceria com a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), a CNPC, a ENI, a KOGAS e a XRG.
Em entrevista à Lusa em julho, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, manifestou a expectativa de que a decisão final de investimento seja tomada até setembro, classificando o Rovuma LNG como “o maior projeto de investimento privado do continente africano”, avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares (17,2 mil milhões de euros).
O desenvolvimento prevê a construção de 12 módulos de liquefação, com capacidade combinada para produzir 18,6 milhões de toneladas de GNL por ano, estando o arranque operacional apontado para 2031.
A ExxonMobil levantou em novembro a declaração de força maior que mantinha suspenso o projeto desde os ataques armados de 2021 em Cabo Delgado.
Moçambique tem aprovados três grandes projetos para exploração das vastas reservas de gás natural da bacia do Rovuma, consideradas entre as maiores do mundo.
Além do Rovuma LNG, a TotalEnergies prevê iniciar exportações da Área 1 em 2029, enquanto a italiana Eni produz desde 2022 através da plataforma flutuante Coral Sul e planeia expandir a produção a partir de 2028 com a Coral Norte.
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