Ecomuseu ajuda a preservar barreta do Corvo com ensino gratuito uma vez por semana

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Corvo, Açores, 22 ago 2026 (Lusa) – O Ecomuseu do Corvo, nos Açores, está a contribuir para a preservação da barreta típica da ilha, uma prática artesanal iniciada pelos homens no século XIX, com o ensino gratuito desta arte tradicional uma vez por semana.

Desde 2022 que todas as quartas-feiras, durante a tarde, nas instalações do Ecomuseu da mais pequena ilha açoriana, decorre o ‘workshop’ a “Hora da Barreta”, que tem frequência livre e se destina a participantes de ambos os géneros.

“É como o próprio nome indica. É uma hora, à quarta-feira, em que as pessoas interessadas em aprender a fazer a barreta típica do Corvo se reúnem nas nossas instalações e, num ambiente descontraído, aprendem connosco a fazer a barreta típica”, explicou hoje à agência Lusa a diretora do Ecomuseu do Corvo, Deolinda Estêvão.

Segundo a responsável, a iniciativa tem sido procurada tanto por mulheres como por homens, tendo em conta que o típico gorro de lã começou a ser feito pelos homens baleeiros, no século XIX, por influência de pescadores escoceses, tendo depois transmitido o saber às respetivas mulheres.

“O ano passado tivemos um projeto em articulação com a escola, em que um professor e um aluno frequentaram também a formação e, este ano, temos um jovem italiano que também gostou desta formação e tem estado a aprender a fazer a barreta típica do Corvo”, disse.

O saber foi transmitido ao Ecomuseu por Rosa Mariana, uma habitante da ilha cuja mãe é considerada a “grande responsável” pela sua manutenção.

“A barreta típica do Corvo é exclusiva aqui da ilha do Corvo e esse saber fazer foi-se mantendo. E nós, agora, estamos a replicá-lo para que as novas gerações também aprendam e para que ele se mantenha vivo, porque, de facto, é uma forma de fazer a barreta diferente de qualquer outra barreta de qualquer outro ponto do país e mesmo do mundo”, disse Deolinda Estêvão.

Patrícia Pacheco, colaboradora do Ecomuseu, aprendeu a fazer a boina corvina com a diretora e, agora, todas as quartas-feiras dá “aulas” a quem tiver interesse em aprender.

Numa recente “Hora da Barreta”, realizada na Casa da Memória, contou à Lusa que já ensinou mulheres, crianças e dois homens, sendo o último o italiano Alessandro Vito, de 30 anos.

O primeiro, um professor, “não chegou a fazer a barreta, apenas ficou pelo aprender a fazer o ponto, enquanto o Alessandro está a concluir a sua barreta”, relatou.

Questionada se há diferenças entre ensinar homens e mulheres, disse que é “indiferente” e que aprendem por igual.

O jovem italiano, que chegou ao Corvo para aprender a trabalhar com madeira, rapidamente se interessou pela barreta, para ocupar algum do tempo livre.

Foi a primeira vez que pegou numa agulha e em lã, mas disse à Lusa que gostou da experiência: “Sim, estou a gostar. No princípio, parecia-me bastante difícil, mas, depois, [fui] praticando em cada dia, [e] agora é mais fácil. E também me relaxa”.

Conhecendo a história da típica barreta açoriana, Alessandro sente-se orgulhoso por poder dar continuidade a uma prática artesanal que foi iniciada por homens.

Fazer um gorro típico do Corvo leva “muitas voltas” e demora cerca de 24 horas. São utilizadas cinco agulhas, como contou a formadora Patrícia Pacheco.

A feitura da peça começa com o “cós” e termina com o “pompom”, uma bola de lã que é cozida no topo.

A cor típica da barreta é o azul e o branco, mas atualmente são confecionadas unidades com outras cores, consoante o gosto de cada um.

Trata-se de um artigo artesanal muito procurado pelos turistas e é vendido a partir de 45 euros.

Neste momento são cinco as artesãs que fazem a barreta típica do Corvo, um produto que “vai para todo o mundo”, segundo Deolinda Estêvão.

“Sei que aqui ao Corvo vêm turistas de todo o mundo e procuram muito. É uma das memórias que as pessoas que visitam o Corvo querem levar consigo e, de facto, ela é exclusiva”, concluiu.

A barreta está certificada pela marca coletiva “Artesanato dos Açores” desde 2019.

Segundo o Governo Regional, as boinas tradicionais “eram usadas pelos homens mais velhos” e “seriam originalmente traje de baleeiros”.

“Terá sido por influência dos pescadores escoceses que os corvinos aprenderam a fazê-las. Este mesmo tipo de boina foi produzido na Escócia desde o século XVI, época de que se conservam alguns exemplares, e o seu modelo e método de confeção persiste inalterado desde então”, indicou fonte da Secretaria Regional da Juventude, Habitação e Emprego.

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