Ventura recusa pedir desculpas ao CDS-PP sobre fragatas porque o seu trabalho é escrutinar

Lisboa, 21 ago 2026 (Lusa) — O presidente do Chega, André Ventura, recusou hoje pedir desculpas ao CDS-PP e ao ministro Nuno Melo pelas acusações sobre a compra de fragatas, considerando que o seu trabalho é escrutinar onde se gasta o dinheiro público.

Numa conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, Ventura foi questionado sobre as recentes notícias de mudanças de liderança das secretas e disse apenas que está “a acompanhar com muita preocupação” o conjunto de alterações, referindo que as informações têm que ser um “serviço independente e isento”.

Sobre as declarações à Lusa do deputado do CDS-PP João Almeida, que exigiu hoje ao Chega um pedido de desculpas pelas acusações relacionadas com a compra de três fragatas, o presidente do Chega respondeu: “pedir desculpa? Era o que faltava”.

“É o meu trabalho fazer perguntas e exigir escrutínio e saber onde é que o dinheiro público está a ser gasto”, defendeu.

Para André Ventura quando se está a falar de um negócio de 3.9 mil milhões de euros e de “um dos maiores negócios de sempre” da área de defesa em Portugal, “era o que faltava um líder da oposição pedir desculpa por fazer perguntas”. 

“Eu devia ter que pedir desculpa era se não fizesse as perguntas. Se eu me calasse é que eu tinha que pedir desculpa a quem votou no Chega”, defendeu.

Ventura foi ainda questionado pelos jornalistas sobre a alegada invasão e roubo no seu gabinete na Assembleia da República, que aconteceu no final de julho e em relação à qual o Ministério Público confirmou a abertura de um inquérito.

“O que posso dizer sobre isso é que não temos nenhuma novidade, espero poder ser ouvido, juntamente com outras pessoas, rapidamente. Espero também que as autoridades consigam diligenciar para que se descubra rapidamente quem é que levou a cabo esse assalto, essa vandalização do gabinete parlamentar”, começou por responder.

O presidente do Chega adiantou ainda que foi informado que houve “algum reforço no controle de acessos” ao parlamento e que também foi encerrado um elevador que vem diretamente do piso zero e que sai à porta do gabinete parlamentar do Chega.

 

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