Dinheiro a circular em Moçambique sobe há três meses e chega a 1.044 ME em junho

Maputo, 21 ago 2026 (Lusa) – O dinheiro físico a circular em Moçambique cresceu 4,6% em junho, para 76.498 milhões de meticais (1.044 milhões de euros), aumentando pelo terceiro mês consecutivo após as quedas registadas no primeiro trimestre do ano.

De acordo com dados estatísticos mais recentes, do Banco de Moçambique e compilados hoje pela Lusa, este agregado monetário atingiu 74.937 milhões de meticais (1.023 milhões de euros) em dezembro de 2025, antes de recuar para 69.041 milhões de meticais (942 milhões de euros) em janeiro deste ano.

A tendência de redução prolongou-se em fevereiro e março, quando o dinheiro em circulação em Moçambique (Massa Monetária 3) baixou para 67.597 milhões e 67.376 milhões de meticais, respetivamente. Em abril, contudo, registou-se uma inversão, com uma subida para 70.804 milhões de meticais (966 milhões de euros), seguida de novo crescimento em maio, para 73.127 milhões de meticais (998 milhões de euros) e depois em junho.

A retirada de dinheiro de circulação constitui uma das ferramentas de política monetária utilizadas pelos bancos centrais para reduzir a liquidez na economia e conter pressões inflacionistas. Já o aumento do numerário em circulação tende a refletir uma maior disponibilidade de moeda na economia.

O Banco de Moçambique manteve em 29 de julho a taxa de juro de referência, MIMO, em 9,25%, admitindo uma redução da liquidez em moeda nacional e um aumento da inflação no curto prazo, embora prevendo o regresso desta para um dígito no médio prazo.

“Esta decisão é sustentada pela redução da liquidez em moeda nacional no sistema bancário, decorrente do aumento do coeficiente de reservas obrigatórias em maio último, não obstante a prevalência de elevados riscos e incertezas associados às projeções de inflação”, afirmou então o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela.

A posição foi assumida no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), em Maputo, que se realiza de dois em dois meses e que decidiu manter a taxa inalterada, tal como já tinha acontecido em março e maio, após um ciclo de 12 reduções consecutivas iniciado em janeiro de 2024.

Em maio, o CPMO decidiu ainda aumentar o coeficiente de reservas obrigatórias para os passivos em moeda nacional de 29% para 39%, com o objetivo de absorver a liquidez excedentária no sistema bancário e reduzir potenciais pressões inflacionistas. O coeficiente aplicado aos passivos em moeda estrangeira foi mantido em 29,5%, nível que permaneceu inalterado na reunião de julho.

Nas perspetivas divulgadas após essa reunião, Zandamela apontou para um aumento da inflação no curto prazo e para uma desaceleração no médio prazo, depois de a inflação anual se ter fixado em 7,5% em junho, face aos 7,2% observados em maio.

“No curto prazo, perspetiva-se que os preços continuem a aumentar, refletindo os efeitos indiretos do aumento dos preços domésticos dos combustíveis líquidos e da inflação importada. Entretanto, no médio prazo, antevê-se uma redução da inflação para um dígito explicada, entre outros fatores, pela perspetiva de manutenção da estabilidade cambial e de abrandamento dos preços dos produtos energéticos e dos alimentos”, afirmou o governador.

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