Irão: Guarda Revolucionária avisa que usará armas mais destrutivas se a guerra recomeçar

Teerão, 20 ago 2026 (Lusa) — A Guarda Revolucionária do Irão avisou hoje que usará mísseis com maior poder destrutivo se a guerra se intensificar na região do golfo Pérsico, numa fase de impasse no processo de diálogo com os Estados Unidos.

“O poder destrutivo das ogivas utilizadas nos mísseis da Guarda Revolucionária supera em muito o das ogivas utilizadas em guerras anteriores”, afirmou o porta-voz da força ideológica do Irão, Hossein Mohabi, em declarações divulgadas pela agência de notícias Tasnim.

Se as confrontações entre as partes se agravarem, as armas utilizadas pela República Islâmica “serão completamente diferentes das do passado em todos os aspetos”, prosseguiu.

As declarações do porta-voz iraniano surgem após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter voltado na quarta-feira às ameaças ao Irão, referindo-se a uma ofensiva económica “sem precedentes”.

Mohabi disse que o Irão está a melhorar continuamente as suas capacidades militares, desenvolvendo armas com maior precisão, poder destrutivo e sofisticação tecnológica.

Nesse sentido, reforçou que o equipamento militar iraniano “será sem dúvida diferente do que era no passado” e “qualquer possibilidade é concebível”.

O Presidente dos Estados Unidos anunciou uma nova ofensiva económica contra o Irão, classificando-a como a ” mais devastadora alguma vez empreendida contra qualquer país”.

 Na sua rede social, a Truth Social, Donald Trump avisou que qualquer país que permita às suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais proporcionar “qualquer tipo de tábua de salvação” ao Irão enfrentará, por sua vez, consequências económicas.

 “Isto será um dia D económico”, afirmou o líder da Casa Branca, que pediu aos aliados de Washington que se juntem ao isolamento económico do Irão, com vista também ao enfraquecimento das suas capacidades militares.

Anteriormente, Trump tinha admitido que “talvez a qualquer altura” Washington e Teerão pudessem retomar negociações para pôr fim à guerra.

Apesar de uma diminuição recente das hostilidades entre Estados Unidos e Irão, a tensão na região permanece elevada no sexto mês de conflito, com as negociações diplomáticas caídas num impasse.

“Nenhuma conversa ou discussão está a ter lugar neste momento nem está programada com a República Islâmica do Irão”, declarou Donald Trump.

As partes assinaram um memorando de entendimento em 17 de junho, que implicou um cessar-fogo imediato na guerra lançada por Estados Unidos e Israel contra o Irão, em 28 de fevereiro, e a abertura de negociações durante 60 dias para um acordo definitivo de paz, prazo que terminou na segunda-feira

Os dois lados voltaram entretanto aos confrontos pouco depois da assinatura do memorando e o Irão repôs as restrições que mantinha à navegação comercial no estreito de Ormuz — por onde passavam 20% dos bens petrolíferos mundiais antes da guerra –, enquanto os Estados Unidos voltaram a aplicar um bloqueio naval aos portos iranianos.

Trump observou na quarta-feira que a atual situação no estreito de Ormuz “é muito boa” e que muitos petroleiros o estão a atravessar sem problemas.

Dados da plataforma da MarineTraffic indicam porém que o tráfego no estreito de Ormuz ficou-se pelas dez travessias na terça-feira, muito abaixo das mais de cem diárias anteriores à guerra.

As ameaças em Ormuz obrigaram os países exportadores de petróleo da região a procurar rotas alternativas, nomeadamente no mar Vermelho, onde os rebeldes Huthis do Iémen, apoiados por Teerão, impuseram por sua vez um bloqueio naval à Arábia Saudita.

O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu hoje que o estreito de Ormuz não será reaberto enquanto Washington não cumprir os compromissos previstos no protocolo assinado em junho.

Ao mesmo tempo, o Irão e Omã, países vizinhos nas duas margens do estreito, debatem há várias semanas a futura gestão desta passagem, num acordo negociado à margem do processo de diálogo entre Washington e Teerão.

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