Sobe para 9 número de mortos em ataque israelita contra esquadra de polícia em Gaza

Gaza, Palestina, 19 ago 2026 (Lusa) — O número de mortos na sequência de um ataque israelita a uma esquadra de polícia na Cidade de Gaza aumentou para nove, incluindo uma criança, enquanto Israel afirmou ter como alvo um comandante do Hamas.

Nos últimos dias, Israel tem conduzido vários ataques na Faixa de Gaza, argumentando que procura eliminar oficiais do grupo radical palestiniano Hamas. Os ataques ocorrem num momento em que os Estados Unidos têm em curso esforços para desbloquear a aplicação do plano de paz traçado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, para o enclave palestiniano.

O hospital Al-Shifa, situado no norte do território palestiniano, indicou ter recebido nove corpos, incluindo os de uma mulher e de uma menina de 13 anos, e mais de 20 feridos após o ataque.

A Defesa Civil de Gaza, controlada pelo grupo islamita Hamas, confirmou este balanço.

O balanço anterior das autoridades do enclave palestiniano dava conta de sete mortos.

As agências internacionais descreveram que junto ao hospital Al-Shifa várias pessoas choravam perante sacos mortuários.

“Onde está o cessar-fogo, quando o nosso povo palestiniano perde dezenas dos seus filhos todos os dias?”, questionou Mahmoud Jundiya em frente ao hospital, citado pela agência francesa AFP.

O exército israelita informou ter atacado um comandante do movimento palestiniano, acusando-o de ter planeado ataques contra as suas tropas presentes no território.

“Antes do ataque, foram tomadas medidas para reduzir os riscos para os civis, nomeadamente através da utilização de munições de precisão e de meios de vigilância aérea”, salientou o exército.

Acrescentou ainda ter atacado, na zona de Nuseirat (centro), outro comandante do braço armado do Hamas.

Os dois homens, afirmou o exército, tinham-se infiltrado em Israel durante o ataque sem precedentes do Hamas, a 07 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra devastadora no território palestiniano.

O porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, condenou uma “escalada perigosa” e um “desprezo total por todos os apelos a um cessar-fogo”.

Qassem acusou o Conselho da Paz de Gaza, entidade promovida por Donald Trump, de ser incapaz de obrigar Israel “a respeitar os acordos celebrados”.

Enquanto ambas as partes se acusam mutuamente de violar o cessar-fogo em vigor desde outubro de 2025, o Conselho da Paz conseguiu que o Hamas aprovasse, em julho, um plano de ação que previa o seu desarmamento e a retirada de Israel de mais de 60% do território que ocupa em Gaza.

No entanto, Israel rejeitou este texto, exigindo um “desarmamento verdadeiro” do Hamas.

O genro e enviado de Donald Trump, Jared Kushner, reuniu-se esta semana com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu e, no final desta reunião, o representante norte-americano afirmou esperar que o desarmamento do Hamas tivesse início dentro de “30 dias” e garantiu que os Estados Unidos “não iriam restringir o direito de Israel a defender-se em caso de ameaças iminentes” em Gaza.

Segundo um responsável israelita citado pela AFP, Netanyahu e Kushner também concordaram em encarregar um general norte-americano de supervisionar o desarmamento do Hamas.

O desarmamento deveria, inicialmente, conforme o roteiro publicado em julho, ser implementado pelo Comité Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês), um órgão composto por tecnocratas palestinianos, cuja entrada no território continua a ser bloqueada por Israel.

Netanyahu recusou, no passado dia 09 de agosto, o plano apresentado pelo Conselho da Paz, que previa o desarmamento do Hamas e a retirada do exército israelita, que ocupa atualmente mais de 60% do enclave palestiniano.

As duas partes acusam-se mutuamente de violação do cessar-fogo no território e continuam sem acordo para a segunda fase do entendimento, que propõe igualmente a criação de um órgão tecnocrático palestiniano, a par do destacamento de uma força internacional de estabilização.

A guerra no enclave foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.

Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave, que provocou mais de 73 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo Hamas, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.

Desde a trégua em vigor, mais de 1.200 pessoas morreram em ataques israelitas, de acordo com as autoridades da Faixa de Gaza.

 

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